Palestra destaca convergência entre a rochagem e o SPD

18/11/2020

Da Redação FEBRAPDP

Foto: Acervo Embrapa

Aumentar a eficiência de uso de nutrientes, melhoria da atividade biológica do solo e resiliência dos sistemas. Falando bem diretamente, essas são as principais vantagens do uso de pó de rochas silicáticas em lavouras. O emprego de pós de rochas carbonáticas, fosfáticas e até sulfáticas já é bem conhecido. Porém, os agrominerais silicáticos ainda não o são. Eles têm como peculiaridade “imitar” processos naturais de renovação de solos. E é sobre suas perspectivas e potencialidades que o pesquisador Éder Martins, da Embrapa Cerrados, vai falar no segundo dia do 17º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, que acontece em plataforma totalmente online, entre os dias 1 e 3 de dezembro.

Geólogo de formação, com graduação, mestrado e doutorado pela Universidade de Brasília, Eder Martins pesquisa, desde o período de sua graduação, as interações entre rochas e solos no contexto tropical, quando iniciou os estudos do uso dos pós de rochas silicáticas no manejo da fertilidade do solo agrícola. Seus anos de estudos acumulados somados aos de outros pesquisadores permitiram o desenvolvimento de novos insumos regulamentados pela Lei 12.890/2013: os remineralizadores de solo.

Sobre a importância específica desses insumos, o pesquisador explica que, “antes de mais nada, é preciso destacar que estamos falando de pós de rochas silicáticas no processo de rochagem. Já utilizamos de forma bem conhecida pós de rochas carbonáticas (calcários agrícolas), fosfáticas (fosfatos naturais reativos) e até sulfáticas (gipsita). O uso de rochas silicáticas imita os processos naturais de renovação de solos desenvolvidos a partir da deposição de materiais de origem fluvial e vulcânica”.

Ainda, segundo Éder Martins, estes depósitos naturais são sempre realizados a lanço e em área total. A aplicação desta forma na parte onde ocorre a maior atividade biológica é a melhor forma de promover o intemperismo dos minerais silicáticos na escala de tempo agronômica. O processo é definido como uma “re-mineralização”, uma vez que renova os solos com a aplicação de minerais primários.

“O processo de intemperismo destes minerais gera novos minerais, que apresentam elevada superfície específica, capacidade de troca de cátions, e maior potencial para se associar a micro-organismos benéficos para a rizosfera das plantas. O manejo contínuo com estes insumos permitirá o desenvolvimento de uma nova camada rica em minerais novos que não existiam nem no remineralizador, nem no solo. Ou seja, poderemos desenvolver uma nova camada de solo ao longo do tempo com propriedades emergentes, inclusive do potencial de estabilizar matéria orgânica, guardar água e aumentar a atividade biológica. Este é um processo que é convergente com os objetivos do Sistema Plantio Direto (SPD)”.

A apresentação de Martins no 17º ENPDP terá uma abordagem conceitual, uma vez que ainda temos poucos estudos destes insumos no longo prazo em SPD. Ele vai mostrar o potencial destes insumos e suas principais propriedades; bem como revelar que os agricultores que estão testando, mostram que melhoram a resiliência do sistema e melhoram inclusive a produtividade em solos com menor potencial produtivo.

 

Eficiência biológica

“A principal relevância do tema é a possibilidade de aumentar a eficiência de uso de nutrientes, melhoria da atividade biológica do solo e resiliência dos sistemas. E isso a partir de insumos locais e regionais. A adoção dos agrominerais silicáticos de uma forma geral, e dos remineralizadores, mais especificamente, diminuem os custos de produção e melhoram a qualidade do solo e da produção agrícola. Não é um processo de substituição de fontes de nutrientes e condicionadores, mas de aumento da eficiência. O SPD constitui uma oportunidade para aumentar a eficiência destes insumos pela elevada atividade biológica do sistema. Por este motivo, todos os que praticam o SPD ou que têm interesse no tema serão beneficiados com as informações sobre o potencial do uso de pós de rochas silicáticas no manejo da fertilidade do solo”, destaca.

 

Painel 4

O Painel 4 do 17º ENPDP terá ainda como palestrantes o professor Fernando Andreote, da ESALQ/USP, com o tema Oportunidades e estratégias do uso de produtos biológicos nos sistemas de produção, e a pesquisadora Ieda Mendes, da Embrapa Cerrados, falando sobre Bioanálise de solo: Uma maneira simples e eficiente para avaliar a saúde do solo. O painel termina com um debate entre os palestrantes moderado pelo pesquisador Carlos Pitol.

 

Inscrições

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas diretamente pelo site oficial do 17º ENPDP (inscreva-se aqui). O valor das inscrições será de apenas R$ 50,00.