Campeões legítimos

12/11/2020

Por Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas

Roberto Rodrigues – Foto: Senado Federal do Brasil

 

 

Com base no último censo agropecuário, o IBGE divulgou no dia 1º de outubro passado um relatório contendo os resultados da produção agrícola municipal de 2019, um trabalho muito interessante com informações sobre a área plantada, produção, rendimento e valor das lavouras permanentes e temporárias.

E a Secretaria de Política Agrícola do MAPA fez uma nota assinalando os principais pontos do levantamento.

Entre eles, está a relação dos Estados mais importantes para a formação do Valor Bruto da Produção Municipal brasileira, que chegou a R$ 361 bilhões no ano passado. Mato Grosso, sem surpresa, foi o mais importante, com R$ 58,3 bilhões, seguido por São Paulo, com R$ 55,5 bilhões; por Rio Grande do Sul, com R$ 40,8 bilhões; Paraná, com R$ 40,5 bilhões; e Minas Gerais, com R$ 34,7 bilhões. Estes cinco Estados, somados a Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul, Pará e Santa Catarina, responderam por 88% do valor total da produção dos municípios brasileiros.

O mesmo estudo revela que, dos 50 municípios responsáveis pelo maior valor da produção, 22 estão no Mato Grosso, e os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia têm cada um 6 municípios principais. Uma questão óbvia é que o PIB agrícola de todos esses municípios tem participação muito acentuada no PIB total deles. Sabe-se que o PIB da agropecuária brasileira equivale a 5,4% do total. Mas nesses municípios, essa participação em média é de 36,8%.

Os 10 maiores municípios agrícolas do Brasil são: Sorriso (MT), Sapezal (MT), São Desidério (BA), Campo Novo dos Parecis (MT), Rio Verde (GO), Cristalina (GO), Jataí (GO), Diamantino (MT), Nova Ubiratã (MT) e Nova Mutum (MT). Seis deles estão no espetacular Mato Grosso! Uma curiosidade: a maioria dos municípios que lideram a produção de soja e milho também lidera a de algodão. Claramente, isso significa que seus produtores rurais usam as melhores tecnologias conhecidas e recomendadas para as três culturas, o que lhes confere melhores resultados por hectare. Os 10 maiores produtores de soja são: Sorriso (MT), Formosa do Rio Preto (BA), São Desiderio (BA), Nova Mutum (MT), Nova Ubiratã (MT), Campo Novo do Parecis (MT), Rio Verde (GO), Jataí (GO), Sapezal (MT) e Diamantino (MT).

Para milho, os campeões são: Sorriso (MT), Rio Verde (GO), Jataí (GO), Nova Ubiratã (MT), Nova Mutum (MT), Campo Novo dos Parecis (MT), Maracaju (MS), Diamantino (MT), Sidrolândia (MS) e Unaí (MG).

E os “reis” do algodão são: Sapezal, São Desiderio, Campo Verde, Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Campos de Julio, Formosa do Rio Preto, Primavera do Leste, Lucas do Rio Verde e Sorriso.

Dados bem diferentes são mostrados para os municípios com a produção de arroz, muito concentrada no Rio Grande do Sul, de café (em Minas Gerais) e de frutas, mais dispersos.

Para arroz, são os maiores: Uruguaiana (RS), Santa Victoria do Palmar (RS), Itaqui (RS), Lagoa da Confusão (GO), São Borja (RS), Dom Pedrito (RS), Arroio Grande (RS) e Camaquã (RS).

Os maiores produtores de café são: Patrocínio (MG), Rio Bananal (ES), Linhares (ES), Três Pontas (MG), Serra do Salitre (MG), Nova Resende (MG), Vila Valério (ES), Campos Gerais (MG), São Miguel do Guaporé (RO) e Jaguaré (ES).

E, por fim, os municípios líderes da produção de frutas são: Petrolina (PE), Juazeiro (BA), São Joaquim (SC), Caxias do Sul (RS), Vacaria (RS), Jaiba (MG), Casa Nova (BA), Lagoa Grande (PE), Bom Jesus da Lapa (BA) e Mossoró (RN). E, em São Paulo, estão os principais municípios responsáveis por mais da metade da produção agrícola nacional.

São todos dados de um Brasil plural que produz de tudo um muito, com tecnologia e competência extraordinárias.

Relatório do IBGE mostra um Brasil agrícola que produz com competência.

 

Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo