BioAS dá mais autonomia ao produtor no manejo de seu solo

29/10/2020

Da Redação FEBRAPDP

Foto: Acervo Embrapa

Pesquisadora da Embrapa Cerrados desde 1989, Ieda Mendes é uma das maiores autoridades brasileiras quando o assunto é microbiologia do solo. Liderou as pesquisa em bioindicadores, que conduziu à tecnologia de bioanálise de solo (BioAS), uma ferramenta que permitir ao agricultor monitorar a “saúde” de seu solo, sabendo exatamente o quê avaliar, porquê avaliar, como avaliar, quando avaliar e principalmente, como interpretar o que foi avaliado. Ela falará em sua palestra durante o 17º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, que este ano acontece entre os dias 1 e 3 de dezembro em plataforma digital.

Ieda faz parte do Painel 4 - Inovações para o manejo do sistema junto com mais dois pesquisadores. O tema de sua palestra é Bioanálise de solo: Uma maneira simples e eficiente para avaliar a saúde do solo e será proferida no dia 2 de dezembro. Ela explica a BioAS é uma tecnologia que agrega o componente biológico às análises de rotina de solos. Tem como base a análise das enzimas arilsulfatase e β-glicosidase, associadas aos ciclos do enxofre e do carbono, respectivamente. A tecnologia BioAS também envolve o cálculo de Índices de Qualidade do Solo (IQS), calculados com base nas propriedades químicas e biológicas em conjunto (IQSFertbio) e separadamente (IQSBio e IQSQuim).

“A biologia é a base da saúde do solo e a BioAS possibilita que o agricultor possa avaliar como está o funcionamento da maquinaria biológica de seu solo. É como se fosse um exame de sangue do solo, que vai permitir ao agricultor detectar problemas assintomáticos de saúde do solo antes que eles resultem em perdas de rendimento de grãos nas lavouras. A grande vantagem da BioAS é que as enzimas são mais sensíveis que indicadores químicos e físicos, detectando com maior antecedência alterações que ocorrem na saúde do solo, em função do seu uso e manejo. No seu estágio atual a tecnologia está formada para áreas sob cultivos anuais no Bioma Cerrado. As tabelas de interpretação para o estado do Paraná já estão sendo finalizadas e nos próximos três anos a expectativa é de expandir a tecnologia para áreas de cana, pastagem, café e eucalipto”, destaca.

Ainda segundo ela, durante a sua palestra serão abordados os aspectos teóricos e práticos que  resultaram no lançamento da tecnologia BioAS. Serão apresentados exemplos práticos de como o solo tem histórias pra contar, e de como é importante saber acessar essas memórias para avaliar sua saúde. Serão apresentadas também as vantagens da manutenção de solos saudáveis nas nossas lavouras, e da utilização  BioAS como suporte nas tomadas de decisão de manejo nas propriedades agrícolas. Serão discutidos aspectos relacionados à saúde do solo e produtividade das culturas. 

Sobre a importância desse tema, Ieda explica que o público do 17º ENPDP é  constituído por agricultores de ponta que fizeram uma das mais importantes revoluções na agricultura tropical que foi a adoção do Sistema Plantio Direto, sem revolvimento de solo, fazendo rotação de culturas e mantendo o solo coberto na época seca, preferencialmente com uma cobertura viva. “Assim, é uma grande honra falar para esses agricultores, pois eles, melhor do que ninguém, sabem da importância e das vantagens da manutenção de solos saudáveis biologicamente ativos e para uma agricultura tropical de altas produtividades, e que ao mesmo tempo realiza importantes serviços ambientais como o sequestro de C e o armazenamento de agua no solo”.

 

Convite

 “O 17º ENPDP está sendo realizado durante a pandemia da COVID 19. Apesar de todo o desenvolvimento tecnológico, um vírus fez o mundo parar e refletir. Ainda é cedo para avaliar como será o mundo pós-pandemia. Sejam quais forem os impactos, produzir alimentos saudáveis em quantidade e de forma saudável, permanecem sendo questões fundamentais. O mantra ‘Solos saudáveis, pessoas, plantas e animais saudáveis’ é mais atual do que nunca”. 

Ieda acredita na possibilidade de uma agricultura sustentável, conduzida em solos saudáveis é uma oportunidade onde todos saem ganhando: o agricultor, o meio ambiente e a sociedade como um todo. “Assim, a realização desse encontro, de forma virtual, é muito importante para difundir as mais recentes pesquisas e práticas conservacionistas e discutir com o setor as principais demandas e dificuldades encontradas e a forma de superá-las. Convido todos a participarem do 17º ENPDP para que cada vez mais possamos avançar na direção de uma agricultura competitiva e sustentável, baseada no uso otimizado dos recursos biológicos”, diz a pesquisadora.

 

Painel 4

O Painel 4 do 17º ENPDP terá ainda como palestrantes o professor Fernando Andreote, da ESALQ/USP, com o tema Oportunidades e estratégias do uso de produtos biológicos nos sistemas de produção, e o pesquisador Eder Martins, da Embrapa Cerrados, falando sobre o potencial do uso de pós de rochas (agrominerais silicáticos) em sistemas de produção sob plantio direto. O painel termina com um debate entre os palestrantes moderado pelo pesquisador Carlos Pitol.

 

Inscrições

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas diretamente pelo site oficial do 17º ENPDP (inscreva-se aqui). Até o dia 15 de novembro, o valor das inscrições será de R$ 50,00; após essa data será de R$ 65,00.  Quem já tiver feito a inscrição no valor antigo, terá a diferença deste valor restituída.