Palestra mostra dez anos de estudos sobre a estreita relação entre diversificação e produtividade

14/10/2020

Da Redação FEBRAPDP

 

 Foto: Agência Embrapa

Em 2020, o projeto Avaliação de Sistemas de Produção de Grãos de Espécies Anuais com Ênfase na Rotação de Cultura em Plantio Direto completa dez anos de estudos continuados. À frente deste profícuo trabalho apoiado pelo CNPq está o professor Luiz Carlos Ferreira de Souza, da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD. No dia 2 de dezembro, ele falará ao público online do 17º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha sobre o tema e a íntima relação com que assunto tem com problemas tais como dificuldades de controle de algumas plantas daninhas, efeitos da compactação e baixa ativação biológica dos solos.

O rol de limitações à produtividade é consequência de um modelo de produção que ganhou força nos últimos anos. Segundo ele, Já existem informações técnicas e científicas consolidadas sobre a importância da cobertura do solo com palha para amenizar as condições climáticas adversas nas regiões tropicais (altas temperatura e irregularidade distribuição de chuvas), aliado a solos com diferentes texturas (arenosos até muito argilosos). Em outras palavras, provas suficientes de que a diversificação é a base da rotação de culturas e, portanto, fundamental para a sustentação do SPD e a produtividade da lavoura.

“Porém, ao longo dos anos, com a consolidação do milho de segunda safra no final da década de 1990 (que foi e continua sendo importante para economia do país), a maioria das áreas destinadas à produção de grãos na região Centro Sul do Brasil, foi estabelecida por duas monoculturas soja/milho. A partir deste momento, as áreas semeadas com as culturas do trigo, aveia, nabo forrageiro, milheto, etc. diminuíram drasticamente, e pode-se afirmar que houve retrocesso e não avanço no SPD”, destaca o professor que, além das pesquisas, desde 1986, leciona as disciplinas de integração lavoura-pecuária e produção de soja, milho e café na graduação e produção de grandes culturas na pós-graduação da UFGD.

 

Produtividades não acompanham tecnologias empregadas

Pela convicção de que é necessária e estratégica a reversão dessa forma equivocada de entendimento do sistema produtivo, Souza, em sua palestra Cultivo de serviços para produzir mais e com eficiência - Rotação ou diversificação de culturas? vai abordar de forma incisiva a importância da rotação de cultura, apresentando resultados de pesquisa de dez anos desenvolvidos na Fazenda Experimental de Ciências Agrárias da UFGD, com ênfase na soja e milho em rotação com as culturas de outono inverno, onde, suas pesquisas mostram como ficou claro que o lento processo de construção da qualidade do solo através de boas práticas traz reflexos diretos e altamente nos atributos químico, físico e biológico do solo e nas produtividades; atuando significativamente na sustentabilidade ampla do sistema produtivo do agricultor.

“Os investimentos no setor agrícola têm sido notáveis, permitindo detalhamento através da agricultura de precisão e das tecnologias adicionadas nas máquinas e equipamentos, melhorando grandemente a qualidade e eficiência das operações no campo. Contudo, as produtividades não estão acompanhando as tecnologias e vai continuar sendo assim se não houver o entendimento de que a construção do solo é complexa, leva tempo, mas o retorno é fundamental para aqueles que desejam continuar na atividade de produtor rural”, enfatiza.

 

Conhecimento e dedicação

“O 17º ENPDP será uma oportunidade muito relevante para se ter acesso à experiência do grupo composto por profissionais como professores, pesquisadores, empresários e produtores rurais, que ao longo das suas vidas dedicaram muita determinação e resignação à geração de conhecimento na área de manejo de solo”, destaca Luiz Carlos Ferreira de Souza, que é engenheiro agrônomo e dedica sua vida profissional à área de manejo de solo, com ênfase no Sistema Plantio Direto.

 

Inscrições e Resumos

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas diretamente pelo site oficial do 17º ENPDP (inscreva-se aqui). Até o dia 15 de novembro, o valor das inscrições será de R$ 50,00; após essa data será de R$ 65,00.  Quem já tiver feito a inscrição no valor antigo, terá a diferença deste valor restituída.

A organização lembra ainda que o prazo para envio de resumos foi prorrogado até o dia 20 de outubro. Para mais informações, acesse o site do 17º ENPDP ou entre em contato através do e-mail enpdp2020@fbeventos.com.