A engrenagem viva

08/10/2020

Da Redação FEBRAPDP

Espécie nativa de minhoca do gênero Glossoscolex em área pioneira de Sistema Plantio Direto em Campos Gerais, PR - Foto: Marie Bartz

 

O 17º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha será online e terá como temática central a biologia do solo. Mais do que um eixo focal que estará muito presente em boa parte dos trabalhos apresentados, a decisão pela abordagem tem um aspecto fundamentalmente estratégico: fazer com que o elemento biológico passe a ser mais bem percebido e, sobretudo, exercido na prática diária dos campos de produção agrícola. A bióloga Marie Bartz, filha do pioneiro em Sistema Plantio Direto (SPD), Herbert Bartz, destacará essa importância estratégica em sua palestra, no dia 1º de dezembro, primeiro dia do evento.

A Engrenagem Biologia do Solo. Esse é o tema da palestra. E a explicação é simples e direta: “é engrenagem porque são os elementos biológicos — em todas as suas dimensões existentes, dos invisíveis aos visíveis — que movem os processos químicos e físicos do solo. Eles são a engrenagem do sistema movido pelas culturas plantadas (fonte de energia/alimento). Sem os organismos, o solo morre, cessando o processo de decomposição da matéria orgânica, responsável pela estruturação do solo e pela ciclagem dos nutrientes junto com os organismos, e então, surgem problemas como a falta de estruturação, compactação, uso constante de insumos, entre outros, comprometendo o desempenho da cultura e consequentemente a produtividade, fazendo com que o sistema seja cada vez mais dependente de insumos externos como fertilizantes e agroquímicos”, explica Marie.

Ela faz questão de enfatizar que perceber e valorizar o aspecto biológico não significa a eliminação do uso dos insumos externos, mas representa, sim, a sua redução de uso na medida em que os processos físicos e químicos no solo se tornam mais otimizados através da biologia.

Benefícios diretos, como a redução do uso de insumos externos, por exemplo, estão mais acessíveis a quem se dispuser a trabalhar melhor a biologia do seu solo. E é sobre essa ótica que a palestra da bióloga se desenvolverá. Marie vai mostrar que, para se trabalhar melhor esse aspecto, é preciso compreender melhor seus processos. Segundo ela, existe um universo pouco conhecido sob os nossos pés e que “aos poucos estamos aprendendo a reconhecer e a valorizar o que podem fazer por nossa agricultura, desde que se deem as condições necessárias, pois estamos falando de seres vivos, que não brotam do nada, mas requerem um ambiente propício para se desenvolverem. Quero mostrar ao público um pouco de como esse universo vivo articula os processos no solo e como suas funções são essenciais para nossas culturas e para a sustentabilidade no longo prazo de nossa agricultura”, antecipa.

A palestrante prossegue: “A relevância desse tema para cada pessoa do público é estabelecida individualmente. Não existe certo ou errado, existe o que se escolhe fazer e suas consequências, que serão benéficas ou maléficas. Mas a mensagem mais importante é de que se não tornarmos ou mantivermos nossos solos vivos, ricos em biodiversidade (organismos e plantas), nosso sistema produtivo está fadado ao fracasso e à dependência do uso constante de insumos, além de comprometer o mercado pela insustentabilidade do sistema. Como já disse, estamos falando de vida e ela é finita, ou seja, se esgotarmos excessivamente os nossos solos — o que já tenho visto: solos estéreis —, chegará um ponto que o processo de recuperação poderá ser irreversível. Então peço que o agricultor medite e explique como ele conseguirá produzir em um solo de deserto (morto)?”.

 

Convite

“Sou bióloga de formação acadêmica, mas filha e irmã de agricultores e não de qualquer agricultor... Sou filha do CARA: Herbert Bartz, o alemão louco que plantava na marmelada e o primeiro agricultor a fazer Plantio Direto na América Latina. Portanto, sou nascida e criada no campo, onde tive a oportunidade de correr e brincar por entre lavouras, colheitadeiras e plantadeiras e ainda explorando matas, o que torna a minha relação com o solo e com a natureza muito fortes”. Assim se define Marie Bartz, que sempre quis seguir o caminho das pesquisas com a biologia. Atraída pela macrofauna do solo, mais especificamente, pelas minhocas, teve a oportunidade de participar do primeiro curso de taxonomia, pesquisando esses organismos em seu mestrado e seu doutorado; assunto com o qual trabalha até hoje, sempre que possível, ligando as minhocas ao manejo do solo, em especial ao Sistema Plantio Direto e seus preceitos: “o solo se torna vivo (com biodiversidade), uma esponja (com a estruturação física) e fértil (com o acúmulo de matéria orgânica e nutrientes)”.

O 17º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha será online e acontecerá entre os dias 1 e 3 de dezembro. Marie faz um convite especial a todos os interessados em aperfeiçoar e avançar nas bases de uma agricultura sustentável. “Estamos falando do maior evento sobre Sistema Plantio Direto do Brasil, organizado pela entidade que representa os agricultores nesse sistema, a Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação – FEBRAPDP. Essa é a oportunidade para que produtores rurais, técnicos, profissionais e estudantes se reúnam a nós (FEBRAPDP e palestrantes) para conhecer quais são as tendências e especialmente para discutir e trocar experiências para resolver as problemáticas em relação ao SPD”, celebra.

 

Inscrições e Resumos

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas diretamente pelo site oficial do 17º ENPDP (inscreva-se aqui). Até o dia 15 de novembro, o valor das inscrições será de R$ 50,00, após  essa data será R$ 65,00.  Quem já tiver feito a inscrição no valor antigo, terá a diferença deste valor restituída.

A organização lembra ainda que os resumos devem ser enviados até o dia 10 de outubro. Para mais informações, acesse o site do 17º ENPDP ou entre em contato através do e-mail enpdp2020@fbeventos.com.