In Memoriam - A jornada de um visionário

30/04/2020

 

  Por Serge Bouzinac, pesquisador CIRAD, Montpellier, França, e João Carlos de Moraes Sá, Professor Sênior da UEPG, Bolsista de Produtividade em Pesquisa Nível 1D - CNPq, Presidente da Comissão Técnico-Científica da FEBRAPDP

 

Lucien Séguy nos deixou dia 27 de abril, aos 75 anos de idade. Foi um verdadeiro difusor do Sistema Plantio Direto no Brasil e mundo afora. Seus trabalhos e conhecimentos foram fundamentais para a consolidação desse sistema na região tropical. A Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha – FEBRAPDP reconhece essa imensa contribuição e expressa o sentimento de profundo agradecimento

 

 

Lucien Séguy nasceu em 1944 numa família de pequenos produtores da cidade de Saint Yrieix La Perche, localizada no centro da França, que é orgulhosa de suas raízes e seu povo. Ele foi o único filho dos quatro irmãos que entrou na universidade e se diplomou engenheiro agrônomo pela Escola Nacional Superior de Agronomia de Toulouse (ENSAT) em 1965, graças à bolsa de estudo. A seguir, fez especialização em pedologia no Office de la Recherche Scientifique et Technique Outre-Mer (ORSTOM) de Bondy. Casou-se com Jacqueline que o acompanhou durante toda sua longa carreira na região tropical. Em 1967, foi para o Senegal pelo antigo Institut de Recherches Agronomiques Tropicales (IRAT) na famosa estação experimental de Bambey, mas preferiu trabalhar no campo, no vilarejo de Sefa, onde fez um mapa pedológico da região e encarou seu primeiro grande desafio que foi aprimorar o manejo do solo em tração animal para a orizicultura da Casamance. Nesse período, publicou um artigo sobre o perfil cultural do arroz, dando ênfase à distribuição do sistema radicular como componente chave na estruturação do solo.

 

Os desafios

Em 1969, é enviado pelo IRAT para o oeste da República dos Camarões, em Dschang, para elaborar e acompanhar vários projetos orizícolas de sequeiro nas planícies dos M’Bos e de N’Dop com a extensão. Desenvolveu estudos em sistemas de produção e melhoramento genético do arroz de sequeiro e irrigado. Supervisionou projetos sobre as interações entre genotipo e meio ambiente, destacando a influência da fertilidade dos solos nas epidemias de brusone na cultura do arroz (Figura1).

Figura 1. Parcerias construídas durante a sua trajetória no Brasil

 

Seus trabalhos despertaram interesse no Brasil e, no final de 1977, o IRAT enviou Lucien para a Empresa de Pesquisa do Maranhão (EMAPA), sendo o primeiro expert do IRAT permanente no Brasil. Durante os anos de 1977 e 1982, Lucien, com o auxílio de Serge Bouzinac (eles trabalharam juntos até os últimos dias de Lucien), implantaram estudos sobre sistemas de cultivo de arroz para pequenos produtores.

Lucien seguiu apoiando a difusão dos melhores sistemas de cultivo em consórcios envolvendo arroz + milho + mandioca, seguido de feijão-caupi no final da estação chuvosa. Foi ajustando e aperfeiçoando as variedades de arroz de sequeiro e irrigadas para os trópicos. Os resultados dessas atividades despertaram o interesse da Embrapa-CNPAF (Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão, Goiânia, GO). Tanto Lucien Séguy quanto Serge Bouzinac foram convidados para desenvolver trabalhos na região dos Cerrados, dando assim o início a um profícuo convênio entre o CIRAD (Centre de Coopération Internationale em Recherche Agronomique pour le Développement) e a Embrapa-CNPAF. Inúmeros resultados foram gerados pelo convênio possibilitando o suporte para avanço nos conhecimentos na adoção do plantio direto na região dos Cerrados.

Entre 1983 e 1989, Séguy e Bouzinac concentraram os trabalhos na região dos Cerrados, principalmente nos estados de Mato Grosso, Goiás e parte de Tocantins; um ambiente totalmente diferente para eles. Naquela época, grande extensão dessa região estava sendo convertida para uma agricultura mecanizada. Inicialmente, foi introduzida a cultura do arroz de sequeiro e, com o passar do tempo, esta foi substituída pela cultura da soja em monocultivo, com o uso intensivo do preparo do solo através de gradagens sucessivas, resultando em expressiva erosão e formação do chamado pé de grade, o que gerava problemas sérios de compactação.

 

A paixão de Lucien era o campo, onde se sentia livre para compartilhar o que sabia

 

Em 1984, em visita a CCLPL (Cooperativa Central de Laticínios do Paraná – Produtos Batavo, Carambeí, PR) localizada na região dos Campos Gerais, encontrou-se com os engenheiros agrônomos Hans Peeten, Josué Nelson Pavei e outros do departamento técnico das cooperativas para conhecer o sistema que estava sendo implantado nesta região. Conheceu os agricultores Nonô Perereira e Franke Dijkstra, pioneiros do plantio direto desta região. Retornou ao Centro-Oeste com muitas ideias a serem adaptadas à região tropical.

Em 1985, vendo o processo de degradação do solo pela erosão avançando e a fertilidade do solo limitada (elevada acidez, baixa quantidade de cálcio e magnésio e carência de fósforo e micronutrientes) iniciaram um trabalho com o apoio do produtor Munefumi Matsubara, da Fazenda Progresso. Para ele, o Matsubara foi o produtor e mentor que acreditou e abriu as portas para a introdução do Sistema Plantio Direto (SPD), rompendo paradigmas e contribuindo definitivamente para a expansão do SPD nos Cerrados.

 

Fazenda Progresso, em Lucas do Rio Verde-MT em 1994. A esquerda o Munefumi Matsubara, ao centro Lucien Séguy, a direita dois pesquisadores de Madagascar e ao fundo Fernando Penteado Cardoso - Foto retirada do Informações Agronômicas n° 69, março de 1995, publicado pela Potafós

 

Desenharam as alternativas para o plantio direto na região tropical, introduzindo espécies que adicionavam elevadas quantidades de biomassa e raízes. Daí surgiu a grande contribuição de Séguy e Bouzinac. Eles compararam os tratamentos com preparo do solo profundo ou superficial com os sistemas em plantio direto durante cinco anos de estudos.

Os resultados mostraram que os tratamentos em plantio direto foram superiores aos sistemas convencionais com preparo de solo, tanto em produtividade como em lucratividade e, além disso, aumentaram o conteúdo de matéria orgânica do solo (MOS) em 20%, enquanto a monocultura de soja associada ao preparo (aração e gradagem) resultou na queda drástica da MOS. Assim, o Sistema Plantio Direto foi introduzindo as safrinhas em sucessão de culturas e ocupando, gradativamente, milhões de hectares até o ano de 2000, graças a uma intensa difusão dos resultados através das fundações, cooperativas e associações de produtores.

 

A consolidação de parcerias e difusão do plantio direto como um sistema

A partir de 1989 até 2002, com o apoio da indústria química Rhône Poulenc, os convênios de pesquisa foram estendidos para empresas e cooperativas agrícolas do Centro Oeste e do Norte do Brasil, tais como a CooperLucas, Varig Agropecuária, Sul América Agropecuária, Grupo Maeda, AgroNorte, Prefeituras de Sinop, MT e de Caxias, MA e Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuária (Emgopa). Foi um marco no avanço do SPD na região porque os trabalhos visaram adaptar as alternativas que o plantio direto proporciona para diferentes situações climáticas nessas regiões. A ação pioneira do grupo Maeda na introdução do plantio direto no algodoeiro foi marcante. Junto com os parceiros, Lucien Séguy melhorou os conceitos do plantio direto sobre Coberturas Vegetais Permanentes (SCV), assimilando essas camadas de resíduos vegetais, tais como a liteira da floresta, criando o conceito da “bomba biológica” (Fig. 2).

 

Figura 2. O esquema sobre o funcionamento das coberturas verdes e cultivos comerciais desenhado por L. Séguy em 1998. Foto de L. Séguy sobre o sistema radicular de Eleusine coracana, uma das espécies sugeridas para compor o sistema de produção

 

Essa visão foi calcada na maior eficiência das coberturas na recuperação dos nutrientes deslocados para as camadas mais profundas. Além disso, ele criou novas alternativas sobre coberturas vivas, ainda mais econômicas (por exemplo, soja sobre gramado de Tifton ou milho sobre Arachis pintoï). Com a AgroNorte, Lucien voltou para uma de suas primeiras paixões: o melhoramento do arroz de sequeiro com o êxito de uma variedade, o CIRAD 141, que cobriria durante mais de cinco anos milhares de hectares no Mato Grosso.

 

Visita à Fazenda Progresso com o Munefumi Matsubara e Serge Bouzinac (alto à direita) e com o grupo Maeda (Centro e direita inferior)

 

A partir de 2002 e até 2012, novas frentes foram abertas e permitiram conduzir esses trabalhos no Brasil com a Universidade de São Paulo (USP) através do Centro de Energia Nuclear na Agricultura com o Prof. Dr. Carlos Clemente Cerri e outros, e na sequência, em 2005, com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), além das parcerias com a prefeitura de Sinop, com o grupo Maeda. Abriu novas frentes com o Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMA-MT) para aprimorar os sistemas de plantio direto algodoeiro e desenvolver as mesclas de plantas visando ativar a vida biológica e melhorar a fertilidade do solo. Em conjunto com a UEPG, através do Prof. Dr. João Carlos de Moraes Sá (Juca Sá) foram organizados cursos anuais de formação de pesquisadores, professores e engenheiros agrônomos ligados ao CIRAD, com participantes de mais de 13 países sobre o Sistema Plantio Direto. Foram seis edições anuais treinando mais de 90 pessoas, proporcionando aos parceiros do CIRAD com recursos da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) a interação com nossas equipes nos Campos Gerais do Paraná. Em 2010, foi outorgado pelo Conselho Universitário da UEPG a Medalha de Honra ao Mérito como o título de “Doutor Honoris Causa” da UEPG.

 

Em novembro de 2010, o então Reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Prof. Dr. João Carlos Gomes fez a entrega da Medalha de Mérito Universitário e o diploma a Lucien Séguy

 

Enfim, paralelamente a todos esses trabalhos no Brasil, Lucien Séguy realizava a cada ano, desde 1984, centenas de missões de apoio e orientação em numerosos países tropicais da África, da Ásia e de Madagascar, visando difundir e adaptar pelo mundo tropical todas essas novas tecnologias elaboradas no Brasil com diversas espécies de plantas entre os diferentes continentes. Costumava-se dizer que ele tinha mais horas de voo que o mais antigo piloto de Boeing.

Em 2009, aposentou-se formalmente do CIRAD, porém, com a energia e entusiasmo que lhe eram peculiares, abriu novas frentes de trabalho, apoiando na França um grupo de agricultores pioneiros no SCV, convictos por seus trabalhos tropicais e, na sequência, conquista o Canadá entrando por Québec, após o convite do agrônomo Louis Pérusse, que pediu ajuda para desenvolver o Sistema Plantio Direto lá naquelas terras frias do país. Debaixo de uma cobertura de neve, ele reabilita os trigos de inverno, sobressemeados a lanço na soja três semanas antes da colheita, ganhando assim um mês para o crescimento do trigo antes do inverno e antecipando a colheita deste trigo de inverno em um mês para abrir a possibilidade de implantar as mesclas de plantas. Essas misturas com várias plantas promovem enorme atividade biológica ao solo e recarregamento em matéria orgânica e múltiplas funções ecossistêmicas.

Não satisfeito e incansável, procura ainda os eixos de pesquisa no Sul do Brasil, nos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul com jovens agrônomos brasileiros que difundem esses sistemas a base de plantas de cobertura multifuncional em dezenas de milhares de hectares.

Lucien Séguy teve uma carreira extremamente rica, passando da pedologia para a agronomia e em seguida ao manejo ecológico do solo. Desenvolveu trabalhos em mais de 30 países e nas diversas condições pedoclimáticas das regiões equatoriais e tropicais, mediterrâneas e temperadas. Ele formou, aconselhou e orientou inúmeros agrônomos do CIRAD e parceiros no mundo, sempre com sua generosidade e amizade, deixando agora saudades em muitos corações. Um de seus preceitos mais marcante era, na medida do possível, trabalhar em “HARMONIA COM A NATUREZA”, o que faz toda a diferença nos sistemas conservacionistas de manejo do solo, água e atmosfera. Lucien Séguy deixa um legado e uma reflexão aos mais jovens: não há conquistas sem riscos e estes fazem parte das ações que tomamos. É preferível errar tentando acertar do que se omitir.

Dedicamos esse in memoriam a Jacqueline, sua esposa e grande companheira, e seus filhos Sandrine e Yannick que o acompanharam durante os últimos meses vida.

 

Mensagens de amigos e daqueles que tiveram experiências com Lucien Séguy

 

As primeiras experiências

Na década de 80, acompanhei os trabalhos de pesquisa na Fazenda Progresso do Sr. Munefumi Matsubara (Lucas do Rio Verde, MT) realizados pelo do Dr. Lucien Séguy e Serge Bouzinac. Lembro do seu entusiasmo nas trincheiras mostrando a grande atividade microbiana nos solos tropicais, a importância da diversidade de plantas e dos sistemas radiculares profundos para ciclagem de nutrientes (“bomba biológica”). Naquele período também fizemos as primeiras experiências com plantio direto em MT, na minha propriedade, a Fazenda Capuaba. Sabíamos da necessidade em desenvolver um sistema de produção agrícola baseado nas características de solo e ajustado para o clima tropical, com diversidade de plantas e proteção constante do solo. Para minha surpresa, em 2017, 30 anos após as experiências iniciais, tive a enorme satisfação em receber a visita do Séguy e Bouzinac onde constataram os resultados de longo prazo dos seus ensinamentos. Com certeza o pesquisador Séguy deixou um grande legado para o sucesso da agricultura nos trópicos, merece todas as nossas homenagens.

José Carlos Soares, Lucas do Rio Verde, MT

 

Lucien Séguy, Serge Bouzinac e José Carlos Soares (Zecão) na Faz. Capuaba em Lucas do Rio Verde, MT

 

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Suas raízes permanecerão

Agradecemos profundamente ao nosso mentor Lucien Séguy pela amizade, dedicação e ensinamentos que nos inspiraram ao longo da nossa caminhada em busca do desenvolvimento de uma agricultura mais produtiva e sustentável. Em nosso solo, suas raízes permanecerão.

Homenagem da Raíx Sementes

 

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Inesquecível, oportuno, prático e efetivo treinamento em agricultura conservacionista com L. Séguy no Curso Internacional em Ponta Grossa.

Dr. Manuel Reyes Resarch Professor, Kansas State University

 

 

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Os discípulos do Lucien

Expressamos nossa imensa gratidão de sermos formados por Lucien Seguy e sermos seus amigos. Aprendemos que esse desafio pela agricultura conservacionista e sustentável calcada no plantio direto é uma missão. Hoje estamos mundo afora trabalhando, pesquisando, divulgando, compartilhando os ensinamentos e consolidando o Sistema Plantio Direto de alta qualidade que aprendemos com ele. Estamos procurando evoluir e adaptar o plantio direto na diversidade das condições dos países que atuamos (França, Canada, Madagascar, Camarões, Camboja, Laos, Vietna, Costa do Marfim, Nova Caledônia, Tunisia, Tailandia e outros). Ele construiu uma vasta rede de agricultores, agronômos, pesquisadores, nos vários continentes e sempre procurando parcerias. Conseguiu estabeler um programa de treinamento na UEPG de 2005 a 2012 junto com o Prof. Juca Sá que nos uniu ainda mais. Lucien nos ensinou o conceito da “bomba biológica” baseado numa larga diversidade de plantas que desencadeou a Integração Lavoura-Pecuaria-Floresta como nos sistemas que foram desenvolvidos para cultura da banana em Guadeloupe e Martinique. Ele era um homem bom, generoso que valorizava profundamente a amizade. Nunca deixou de atender a quem o procurava e sempre aberto com bom humor, pensando e fazendo sem parar. Ele deixa um legado para o Brasil e para o mundo. Descance em paz e saiba que estaremos aqui continuando sua obra.

 Serge Bouzinac, Hubert Charpentier, Patrick Julien, Stéphane Boulakia, Florent Tivet, Louis Perusse, Oumarou Boularabé, Hoá Tran Quoc, Pascal Lienhard, Frédéric Jullien, André Chabanne, Olivier Husson, Roger Michellon, Jean Claude Quillet, Jean Luc Vaymel, Lydie et Noël Deneuville, Sandrine et Alain Gallon, Christian Abadie, Hélène Leduc, Aubin Lafon, Sarah Singla, Sylvain Hypolite, Christine Cassino e Roger Michellon

 

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História na formação das novas gerações

 O Sistema Plantio Direto, que se consolidou como a melhor proposta para a sustentabilidade, foi concebido reunindo as iniciativas e dedicações de inúmeras pessoas e instituições. Algumas delas se destacam. Hoje, nos manifestamos para lamentar a perda de Lucien Seguy, pesquisador do Cirad, que junto com Serge Bouzinac fez muito pelo Cerrado, pelo SPD e pela nossa agropecuária, ao compreender e divulgar os serviços das rotações de culturas, a base de conceitos que ainda estão sendo concebidos para uma agricultura moderna. Da mesma forma, ele contribuiu para o reconhecimento internacional dado ao SPD concebido no Brasil. A Universidade Estadual de Londrina UEL e seu Departamento de Agronomia se juntam à FEBRAPDP para prestar esta justa homenagem e se prontificam a valorizar e empregar esta história na formação das novas gerações.

Prof. Dr. Adilson Luiz Seifert, Chefe do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina

 

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Um vulcão de ideias

Aprendi muito com o Lucien. O conheci nos anos 80, em Ponta Grossa, quando visitou a Fundação ABC. No giro de campo, ele não parava de comentar toda e qualquer situação que via. Ele era um vulcão em erupção e as ideias iam surgindo sem parar. Uma pessoa fenomenal! Era difícil acompanhá-lo! Desde então nos encontrávamos em congressos, eventos de campo e palestras. Falávamos em fazer algo em conjunto, até que em 2004 surgiu a oportunidade de elaboramos uma parceria e, em 2005, concretizamos o convênio UEPG – CIRAD. Os recursos vieram da AFD (Agência Francesa para o Desenvolvimento) e aplicados no Laboratório de Matéria Orgânica do Solo (LABMOS) para equipamentos e treinamento de parceiros do CIRAD. Foram 10 anos de trabalhos. Um salto de qualidade no qual consolidamos uma equipe e nos tornamos referência no estudo da matéria orgânica do solo. Se fosse resumir em uma palavra o que sinto pelo Lucien é GRATIDÃO. Descanse em paz amigo.

João Carlos de Moraes Sá, Professor Sênior da UEPG, Bolsista de Produtividade em Pesquisa Nível 1D - CNPq, Presidente da Comissão Técnico – Científica da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação

  

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Um ser elétrico...

Tive o privilégio de acompanhar de perto, parte do gigantesco trabalho desenvolvido por Séguy no estado de Mato Grosso, junto com dois fiéis companheiros – Serge Bouzinac e Munefumi Matsubara. Suas pesquisas sobre plantas de cobertura, reciclagem de nutrientes e vida biológica do solo deram o embasamento científico para o sistema de plantio direto na palha, hoje de adoção generalizada de norte a sul do país. Séguy era um ser elétrico, muito agitado, movido pela sua paixão por uma agricultura que se aproxime da natureza, sendo este ápice, o plantio direto em cima de cobertura viva, objetivo que tanto procurava. Dotado de grande talento para pintura (foi assistente de famoso pintor) traduziu seus conceitos agronômicos em elaborados gráficos e figuras com que ele ilustrou a publicação “Da transferência de tecnologia Norte-Sul aos sistemas de plantio direto, em zona tropical úmida”, editada em 1996.  A agronomia está de luto e o mundo fica mais pobre sem Lucien Séguy. Mas fica o seu exemplo.

Tsuioshi Yamada, ex-diretor do IPNI, 1977-2007

 

Lucien Seguy ao centro: dia de campo em Sinop, MT, 1995 - Foto tirada por T. Yamada

 

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Esse cidadão do mundo

 Nosso colega Lucien Séguy morreu dia 27 de abril, aos 75 anos de idade. Nossa emoção é profunda com o anúncio de seu desaparecimento. Contudo, a sua imensa contribuição para uma agricultura melhor será seu grande legado. Ficam lembranças importantes como de sua aula, no início da década de 90, na disciplina Problemas de Fertilidade do Solo, para alunos curso de pós-graduação do Departamento de Ciência do Solo (ESALQ/USP) e de nossa visita ao CIRAD- Montpellier (França), em 1999. No Brasil, onde iniciou seus trabalhos em 1978, Lucien Séguy foi um pesquisador envolvido com a implementação e disseminação do plantio direto. Esse cidadão do mundo exerceu significativa influência e contribuição para a nossa agricultura. Sua inteligência, simplicidade e generosidade farão falta! 

Godofredo Vitti, Prof. Titular Emérito, ESALQ-USP e Valter Casarin, ESALQ-USP

 

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Incansável e entusiasta

Pesquisador do CIRAD, França - Grande e incansável, entusiasta e guerreiro dinâmico! Especialista em solos, plantas, manejo e plantio direto. Juntamente com Serge Bouzinac, seu eterno companheiro de trabalho desenvolveram muitos trabalhos validados e em uso por produtores de muitos países do mundo! Tive o prazer de estar com ele diversas vezes, em visitas a campo lá na Fazenda do Matsubara em Lucas do Rio Verde, na década de 80, testando diferentes plantas de cobertura, junto à Cooperlucas e, também o grande e profundo trabalho em Sinop, MT, com a Agronorte, Maronese e Equipe! Cultivares lançadas e muita difusão de sistemas sustentáveis aos produtores e técnicos! Todo o mundo da ciência e dos agricultores perdem muito com a sua partida e com a sua ausência nos mais diversos sistemas produtivos do mundo!

Ademir Calegari, pesquisador Sênior do Iapar, Consultor Privado - Manejo de solos / Plantas de cobertura (Sistema Plantio Direto)

 

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Paixão e dedicação

Conheci o Dr Lucien Séguy na Universidade Federal de Goiás falando do Sistema Barreirão com pesquisador João Kluthcouski, em 1984, e voltei a encontrar em 2016! Grande exemplo e com muita paixão e dedicação nos ensinamentos! A partir daí, passei a me dedicar ao uso de plantas de cobertura na agricultura.

Eng. Agrônomo David Campos Alves

 

 

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Floresceram e produziram frutos

O desenvolvimento da agricultura nos Cerrados, e do plantio direto na palha, teve a contribuição do Dr Lucien Seguy e seu companheiro Serge Bouzinac. As sementes por ele semeadas floresceram e produziram frutos em abundancia e, neste momento, nos resta o agradecimento e gratidão. Vá em Paz! Lucien, sua passagem por aqui foi vitoriosa!

Carlos Pitol, Dourados, MS

 

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Aguerrido e apaixonado...

Nos idos da Safra 2009/2010, tive a oportunidade de conhecer e trabalhar com os pesquisadores Lucien Seguy e Serge Bouzinac, quando integrei o departamento de pesquisa do IMAmt, em Primavera do Leste MT. Perseverante, aguerrido e apaixonado. Uma figura ímpar, que nos deixa um legado e leva nossa saudade. Condolências e um forte abraço aos familiares e amigos.

Eng. Agronômo Marcio Caldeira, Coordenador Técnico Araunah Agro

 

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Ensinamento e inspiração

Lucien Seguy fonte de ensinamento e inspiração para muitas pessoas que utilizam o Sistema Plantio Direto de qualidade ao redor do mundo. Famosa a frase dele quando tinha que "explicar o inexplicável" a respeito das fantásticas sinergias agronômicas e de meio ambiente entre SPD e mix de diferentes espécies na adubação verde: C'est la puissance du génie végétal... é o poder do gênio vegetal, da engenharia das plantas ... Nós, europeus crescemos e somos formados na convicção de que a estruturação do solo é feita com o aço... Lucien trabalhou até o fim para quebrar esse paradigma!!

Com gratidão, Sergio Argenteri, Piovera, Itália