Fórum de Inovação divulga qualidade do SPD no Oeste da Bahia

Redação FEBRAPDP 29/08/2019
Participantes do Fórum de Inovação em Agronegócio

Na quarta-feira, 21 de agosto, o Fórum de Inovação em Agronegócio, em Luís Eduardo Magalhães, BA, reuniu um público de 139 pessoas, entre especialistas renomados, produtores rurais, professores e alunos das cadeiras de Agronomia. Promovido pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e pela Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP), o evento tratou de questões cruciais e estratégicas para que o Sistema Plantio Direto (SPD) não apenas cresça quantitativamente, mas também — e principalmente — de forma qualitativa.

Se a maior preocupação de todos que trabalham com o SPD hoje é a qualidade com que a técnica está sendo empregada no país, os métodos e modelos de parametrização de dados que afiram objetivamente seus benefícios requerem uma atenção especial. Não por acaso, o tema da primeira palestra do evento foi o Índice Participativo de Qualidade do Sistema Plantio Direto (IQP), apresentada por Jeankleber Bortoluzzi, coordenador de projetos da FEBRAPDP, que deu um panorama das ações que vêm sendo empreendidas dentro desse objetivo.

Na sequência, o produtor rural Eduardo Manjabosco, de Riachão das Neves, BA, apresentou ao público as experiências vivenciadas no Oeste da Bahia com o uso das boas práticas de manejo em agricultura-pecuária. Segundo ele, as boas práticas de conservação de solo do Sistema Plantio Direto são fundamentais para a agricultura do futuro e a palhada, em especial, tem íntima relação com esse processo.

“As boas práticas significam a manutenção da vida em seu solo. Precisamos de palhada para isso. A palhada permite a ciclagem e, portanto, a economia dos nutrientes do adubo que temos que colocar ano após ano. Temos uma possiblidade de melhorar a matéria orgânica de nosso solo, o que é muito difícil em ambientes tropicais, por isso torna-se necessário fazer um grande aporte de palhada todos os anos. Um ano sem fazer já complica todo o cálculo. Não é que o SPD seja uma saída, o SPD é a forma como a agricultura tem que ser feita. O sistema é a chance que nós temos para fazer uma agricultura mais sustentável, com aumento de produtividade e diminuição de custos. É via Plantio Direto de qualidade, com bastante palha, que evitarmos a compactação e a necessidade de termos que ficar revolvendo o solo constantemente”, sintetiza.

O professor João Carlos de Moraes Sá, mais conhecido no setor como Juca Sá, tratou de pontos cruciais do sistema e que muito interessam aos produtores, tais como construção de matéria orgânica, fertilidade do solo, balanço de carbono e estratégia de fertilização para produção sustentável em SPD.

Outro assunto que chamou muito a atenção do público presente foi o uso de pó de rocha, tema da palestra do pesquisador da Embrapa Cerrados, Éder Martins, um dos maiores especialistas sobre o assunto no Brasil. Ele deu detalhes e orientações importantes sobre esses novos insumos que são derivados das rochas silicáticas. Atualmente, com específicas composições químicas e mineralógicas, podem ser utilizados — a baixo custo — na agricultura como remineralizadoras de solo e fertilizantes naturais.

Levando conhecimento

De acordo com o presidente da Aiba, Celestino Zanella, o evento foi muito importante porque significou uma boa oportunidade para debater alternativas de trabalho dentro da fazenda. “O SPD é muito importante como ferramenta de manejo para a agricultura sustentável. O Fórum Inovação em Plantio Direto representou um processo de aprendizado e troca de conhecimentos entre os agentes do setor produtivo regional. Serviu em especial como uma oportunidade para divulgação do que está sendo feito corretamente em outras regiões do país e que precisaremos adaptar na região do Oeste da Bahia. Acho que, dada essa relevância, devemos fazer todos os anos o evento aqui”, destacou Zanella, que também é produtor rural nos municípios de Barreiras e São Desiderio.

Ele explicou ainda que, como acontece em toda área de Cerrado, há produtores regionais que se utilizam do Plantio Direto há mais de 25 anos e que desde então não mexem no solo. Mas há os que estão começando no sistema e ainda não estão fazendo o Plantio Direto corretamente.

A relevância da qualidade da semente

Uma das apresentações que mais chamaram a atenção foi a de Lorivaldo Tomé, gerente comercial da Sementes Mineirão, ele abordou a importância da qualidade da semente na formação da cobertura, o que nem sempre é levado em conta pelo produtor rural.

Segundo ele, a semente é a base de tudo para quem quer uma lavoura de qualidade. Então, para fazer uma palhada de qualidade em SPD, naturalmente a semente de qualidade fará diferença. Tomé explicou que muitos produtores não têm essa preocupação, pegando às  vezes restos de sementes que ficaram dois ou três anos no fundo de um barracão ou pegando do vizinho, sem se preocupar muito com a questão do que estará germinando a partir dali ou sobre como está o vigor da semente.

“Uma questão muito importante com relação às sementes das culturas que vão formar palhada, como as braquiárias e os panicuns, é a parte da uniformidade. Se uma planta sai primeiro que a outra, ela mata a que saiu mais tardiamente. Por outro lado, quando há uniformidade, isso já não ocorre. As plantas crescem igual, estiolam, ficam tenras, mais verdes, mais capazes de absorver o herbicida, menos lignificadas, o que dá um selamento no solo e evita muito problema com invasoras. Com as de má qualidade, o estande por metro quadrado muito baixo, e isso faz com que as plantas se enraízem muito, que ocorra entouceramento, dando problema nos carrinhos da plantadeira e até impedindo que a semente de soja entre bem na touceira. Gasta-se mais herbicida, dessecação menos uniforme. Enfim, compromete a produtividade no final das contas”, frisou.

A terapeuta Cognitivo-Comportamental Rúbia Franciosi encerrou o ciclo de palestras, mostrando aos produtores conceitos com um viés mais sutil, mas que tem muita influencia sobre o desempenho na prática, sobretudo, nos negócios: a autoresponsabilidade. Antes do trabalho como produtor em si, há um ser humano com questões subliminares que afetam nas percepções e até no desempenho profissional. E foi sobre isso que ela tratou.

O evento foi encerrado no período da tarde, com a visita às quatro estações do dia de campo na área experimental da Fundação Bahia no complexo da Bahia Farm Show.