Controle biológico no Brasil tem potencial de crescer 20% ao ano

Embrapa Soja 15/08/2019

Por Lebna Landgraf

Inimigas naturais importantes, vespinhas parasitam ovos que dariam origem às lagartas - Foto: RR Rufino/Embrapa

O uso de biodefensivos agrícolas como estratégia de controle biológico de pragas e doenças tem potencial de crescimento anual de 20%, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). Esses dados mostram que de 2017 para 2018 a indústria brasileira registrou 77% de expansão na comercialização dos insumos biológicos. O volume de vendas saltou de R$ 262,4 milhões para R$ 464,5 milhões.

Para a ABCBio, o principal motivo para esse aumento é a maior taxa de adoção pelos agricultores de agentes biológicos contra pragas e doenças. E, de acordo com a entidade, ainda existe grande potencial de crescimento para os biológicos. “Nota-se que havia, e ainda há, uma demanda reprimida por soluções de defesa vegetal que resultem em menor impacto em termos de resíduos, principal característica dos agentes biológicos", declara Arnelo Nedel, presidente da ABCBio.

“A adoção do controle biológico tem sido fomentada pela crescente resistência de insetos aos inseticidas químicos e pela urgência por um uso mais racional de agrotóxicos”, analisa o pesquisador Adeney de Freitas Bueno, da Embrapa Soja (PR).

Segundo dados da Embrapa, cerca de 80% das pragas podem ser controladas pela ação dos inimigos naturais presentes na lavoura de soja, quando se adota as estratégias preconizadas pelo Manejo Integrado de Pragas (MIP).  “O que acontece é que a aplicação abusiva de inseticidas, na hora errada, com produtos muito tóxicos, acaba eliminando esse controle biológico natural”, alerta Bueno.

Pesquisador Adeney Bueno fala sobre o controle biológico no manejo de pragas da soja

 

A Embrapa Soja é uma das unidades da Embrapa que vem conduzindo pesquisas tanto relacionadas ao controle biológico natural (incentivo à manutenção de agentes naturais no campo para controlar pragas agrícolas) quanto para controle biológico aplicado ou aumentativo (quando se libera intencionalmente predadores, parasitoides ou entomopatógenos das pragas na lavoura).

Bueno explica que, no campo, o controle natural das pragas agrícolas é feito por fungos, vírus e bactérias, além de insetos benéficos que têm o hábito de predar, parasitar ou infectar as pragas que afetam a soja. “Os inimigos naturais têm o papel de manter as populações de pragas em níveis mais equilibrados”, conta. “O produtor precisa conservar esse controle biológico natural aplicando as boas práticas agrícolas preconizadas nos manejos integrados de pragas, plantas daninhas e doenças. O uso racional dos agrotóxicos é uma das medidas para preservar esse controle biológico natural e permitir que ele mostre o seu potencial”, avalia. Assim, mesmo que o produtor não compre ou utilize nenhum biodefensivo em sua lavoura, o controle biológico irá ocorrer naturalmente.