Fórum de Manejo de Solos reúne 300 pessoas em município gaúcho

Emater/RS-Ascar 15/08/2019

Por Tiago Bald, assessor de imprensa da Emater/RS-Ascar

Evento faz parte do Programa Estadual de Conservação do Solo e da Água - Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar

Um público de cerca de 300 pessoas, entre autoridades, representantes de entidades, extensionistas, estudantes e agricultores, lotou o Galpão do Seu Chico, em Vespasiano Corrêa, RS, para o 4º Fórum de Manejo de Solos. Organizado pela Emater/RS-Ascar e pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Vale do Taquari (Aseat), o evento contou com uma série de painéis e palestras, além de tarde de campo, em que foram discutidos temas, como manejo de água em sistemas conservacionistas, física do solo, mecanização, práticas para controle de erosão e plantas melhoradoras e de cobertura.

Parte do Programa Estadual de Conservação do Solo e da Água do Governo do Estado, que visa incentivar, fomentar e coordenar ações para a proteção e conservação da qualidade do solo e da água, o Fórum também teve o objetivo de apontar caminhos na busca por manter os recursos naturais vivos para uma maior produtividade. O que se busca é estabelecer uma rede de parceria com municípios, órgãos e entidades públicas e privadas que, somadas aos produtores, gerem ferramentas para a aplicação dessas ações, salienta o assistente técnico em Manejo de Recursos Naturais da Emater/RS-Ascar, Marcos Schäfer.

Para Schäfer, o solo é a base da produção agrícola e o que ocorreu nos anos 90, com o advento do plantio direto com cobertura do solo, foi uma falsa sensação de que os problemas relativos à conservação do solo estavam todos resolvidos. Só que essa ideia voltou a ter impactos severos recentemente, com problemas ocasionados pela erosão e o abandono de técnicas de manejo, sejam elas a rotação de culturas, a adoção de uma cobertura do solo ou a construção de terraços para a condução das águas, que poderiam representar a solução para essas questões, avalia.

Indo ao encontro do que disse Schäfer, os painelistas, em linhas gerais, reforçaram a importância dos cuidados com o solo, que estão relacionados a um bom manejo da água. Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Juan Minella, a atenção aos recursos hídricos e a definição de estratégias para o armazenamento da água da chuva, por exemplo, de forma disciplinada, organizada, definirá o sucesso de uma lavoura. De nada adianta chover demais se a gente não sabe o que fazer com a água, resume.

A fala de Minella vai ao encontro da do anfitrião da tarde. Durante a apresentação da propriedade, o agricultor Fabrício Balerini fez um relato sobre a adoção de terraços, que melhoraram a permeabilidade da água e, consequentemente, a absorção e a infiltração das chuvas. Essa é uma forma de evitar as perdas de solo e de água por erosão hídrica, explica. Formado em agronomia, Balerini destacou a importância de associar a pesquisa ao resgate de tecnologias já disponíveis. Estamos falando simplesmente em mudar hábitos, tentando buscar soluções, avalia.

Para Schäfer, nesse contexto busca-se tratar o solo como um organismo vivo, fundamental para a produção de alimentos saudáveis. É um trabalho que busca despertar a consciência também por meio de campanhas, eventos, seminários, atividade de campo e ações de educação ambiental em escolas, com vistas a engajar a sociedade para a importância do tema, salienta, reforçando os objetivos do Programa de Estado. Trata-se de uma discussão importante, já que os cuidados com o solo muitas vezes passam despercebidos, lembra.

Entre as autoridades, o gerente adjunto da Emater/RS-Ascar, Carlos Lagemann, destacou a importância de um tema caro à Instituição e que merece ser discutido de forma permanente para que a base não seja esquecida. Além de Lagemann, estiveram presentes o prefeito de Vespasiano Corrêa, Marcelo Portaluppi, e o presidente da Aseat, Fernando Mallmann. O evento contou com o apoio da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), UFSM e Prefeitura. O patrocínio foi de Diamaju Syngenta, Dália Alimentos, cooperativa Sicredi, Germiplan, Agrovale Tratores e Implementos, Unical e Folhito Adubos Orgânicos.