Brasil, exemplo de agricultura sustentável

Redação FEBRAPDP 10/04/2019

A International Federation of Agricultural Journalists (IFAJ) é uma associação profissional apartidária, sem fins lucrativos, com membros em 50 países. Entre os dias 31 de março e 6 de abril, doze jornalistas integrantes da IFAJ e especializados no segmento agropecuário estiveram no Brasil para conhecer um pouco mais a agricultura brasileira. O grupo visitou fazendas produtoras de carne, cana-de-açúcar, milho e soja nos Estados de Paraná e São Paulo. Integrantes da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP) receberam os jornalistas em suas fazendas e mostraram como o Sistema Plantio Direto (SPD) vem revolucionando a agricultura brasileira e até hoje é um dos principais fatores para o aumento da produtividade com conservação do meio ambiente.

A iniciativa, denominada Exposure-4-Development (E4D) e que já passou também por Quênia, Uganda, Tanzânia e China, visa promover o desenvolvimento profissional e estabelecer redes de contatos internacionais para os seus associados. Liderado pelo jornalista Niels Damsgaard Hansen, da Dinamarca, o grupo de jornalista era formado por profissionais de veículos da Irlanda, Irlanda do Norte, Alemanha, Holanda, Áustria, Canadá, Finlândia e Estados Unidos. 

Cana

No dia 1º de abril, visitaram a Agrícola NovAmérica, em Tarumã, SP, e foram recebidos pela gerente de grãos Máyra Martins Teixeira, pelo engenheiro agrônomo Fernando Chiarinelli e por Bertola Orlandi, vice-presidente da FEBRAPDP SP e presidente da Associação de Plantio Direto do Vale do Paranapanema (APDVP).

Segundo Orlandi, na NovAmérica, a expedição conheceu o processo produtivo da cana e de grãos. “Na reforma da cana é feito o plantio de soja em Sistema Plantio Direto; ou seja, diretamente em cima da palhada da cana. A maior parte usa o sistema de meiose que com plantio de duas ruas de cana e com o plantio de soja no intervalo. A região aqui também usa muda pré-brotada e plantio mecanizado de cana-de-açúcar” explicou Orlandi.

Bertola Orlandi e grupo da IFAJ.

Agricultura conservacionista

Três dias depois, já no Paraná, na região de Campos Gerais, a equipe da E4D foi recebida pelo agricultor e diretor conselheiro da FEBRAPDP Manoel Henrique Pereira Junior em na sua propriedade, a Fazenda Agripastos. Para somar conhecimentos, estiveram presentes ao lado de Manoel o diretor-presidente da FEBRAPDP, Jônadan Ma, e pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e conselheira da FEBRAPDP, Lutécia Canalli.

Manoel apresentou a história do nascimento do SPD na região “Graças ao Plantio Direto, nos dias de hoje, no Brasil, predomina uma tecnologia de produção agropecuária que atende o que nosso planeta exige para que tenhamos um futuro melhor para as próximas gerações, garantindo com a exploração sustentável e a conservação do meio ambiente sem que a produção seja comprometida. Pudemos apresentar aos nossos visitantes o trabalho feito na Fazenda Agripastos desde que o SPD foi introduzido em 1976, por meu pai “Nonô Pereira”, inicialmente, apenas para controlar a erosão em nossos solos arenosos, até chegarmos a perceber outras tantas vantagens que o sistema oferecia, tais como: aumento da fertilidade e matéria orgânica, economia de fertilizantes, aumento da produtividade, menor uso de máquinas e equipamentos, menor necessidade de potência por hectare, menor consumo de combustível fóssil, sequestro de carbono, menor emissão de CO², água limpa nos rios e nascentes, menor uso de agroquímicos, viabilização da segunda safra, entre outras tantas vantagens”, enumera Manoel.

Jônadan Ma falou sobre a história da FEBRAPDP e seu importante papel em prol do desenvolvimento da agricultura sustentável no Brasil. Também reforçou a importância que o SPD tem na agricultura brasileira e o como os produtores estão fazendo para evitar o aumento de destruição de matas. “O SPD permitiu aumentar a produção no Brasil e aproveitar muito melhor as áreas de pastagens degradadas. O melhor aproveitamento das áreas de pastagens degradadas utilizadas para a agricultura elimina totalmente a necessidade de avanço em áreas florestais. O Brasil praticamente não abre mais florestas porque toda a área agricultável é o suficiente para duplicar ou triplicar nossa produção agrícola nos próximos anos. As novas áreas ocupadas pelas lavouras são estabelecidas sobre antigas áreas de pastagem já degradas”, disse Jônadan, gerando grande interesse nos participantes.

O grupo de jornalistas demonstrou interesse especial pela questão do uso do glifosato nas lavouras, sobre o que Jônadan explicou que por ora, não existem alternativas melhores para o produto e respondeu aguardar ansiosamente pela descoberta e disponibilidade para o mercado de novas moléculas de herbicidas menos nocivos à saúde. “Trata-se de uma demanda mundial, estamos todos buscando alternativas”, explicou.

Lutécia Canalli, Jônadan Ma e Manoel Henrique Pereira Junior

Troca

Os integrantes da FEBRAPDP também explicaram sobre o caminho que há pela frente para melhorar a agricultura brasileira com relação ao SPD. “Ainda existem muitas falhas e novos programas junto ao governo federal devem ser implantados para assegurar um sistema de produção de qualidade e mais efetivo na condição de preservação e sustentabilidade, mas nada disso é novidade, basta adicionar alguns quilates neste diamante que ainda não foi totalmente lapidado”, ressaltou Manoel.

“Essa foi uma oportunidade única para divulgação e troca de ideias do que é feito de bom em nosso País. Esta interação da mídia junto ao produtor é fundamental para que a informação correta e verdadeira chegue ao conhecimento do público e nossos governantes. Sabemos o quanto a imagem do produtor rural é difamada perante a opinião pública mundial originária, na maioria das vezes, por desconhecimento e ideologia. Percebemos uma grande admiração e surpresa por parte dos jornalistas, nos parecendo que a grande mídia não tem muito conhecimento mundo afora do que é o SPD no Brasil, no mundo e suas vantagens. A presença do presidente Jônadan e da diretora Lutécia no evento foi de grande valia para interagir e explanar todo o trabalho aos presentes, com nosso inglês tupiniquim conseguimos fazer com que os jornalistas saíssem bem satisfeitos com a visita”, comemora Manoel.

ILP

O sistema Integração Lavoura-Pecuária também interessou bastante ao grupo de jornalistas, que ficou bastante surpreso e curioso com a capacidade brasileira de produzir proteínas e grãos, com duas safras ao ano, numa mesma área. “E olha que nem deu tempo de falar da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta! Para eles, foi muito interessante e, para nós, muito importante, pois serviu para mostrar in loco o que é feito pela agricultura brasileira", destacou Jônadan.

Esta é a quinta edição da Exposure-4-Development tour. Além do dinamarquês Damsgaard, participaram dela os jornalistas, Amy Forde, do Irish Farmers Journal (Irlanda), Katrin Fischer, do BWagrar (Alemanha), Sjoerd Hofstee, do Langsdemelkweg (Holanda), Claudia Jung-Leithner, consultora e freelancer (Áustria), Rachel Martin, do AgriLand (Irlanda do Norte), Christian Muhlhausen, do Landpixel, (Alemanha), Owen Roberts, da University of Guelph, (Canadá), Lilian Schaer, freelancer (Canadá), Frederik Thalbitzer, do Landbrugsmedierne (Dinamarca), Tuulikki Viilo, do Maaseudun Tulevaisuus (Finlândia), e Steve Werblow, do The Furrow (Estados Unidos) e Zeca Nunes, São Paulo (Brasil).

Lutécia Canalli, Jônadan Ma, Manoel Henrique Pereira Junior e grupo de jornalistas na Fazenda Agripastos

Fazenda Agripastos: legado para o mundo

Um dos pontos altos da visita dos jornalistas foi a visita à Fazenda Agripastos, em Palmeira, PR, onde o grupo conheceu o legado de Nonô Pereira, um dos pioneiros no Sistema Plantio Direto. O agricultor paranaense Manoel Henrique Pereira, conhecido como Nonô, foi um dos grandes precursores do plantio direto em meados de 1970 e um dos maiores divulgadores da técnica pelo Brasil e pelo mundo. Em 1976, comprou uma plantadeira de cor laranja chamada Rotacaster e essa foi uma das primeiras tentativas de se praticas o plantio direto em lavouras brasileiras. O equipamento teve desempenho desastroso, porém não foi motivo para Nonô desistir. Ele e seus funcionários acabaram por adaptar outra plantadeira, de origem convencional, para a semeadura direta.

Nonô sempre abriu as portas da Fazenda Agripastos para todos que tivessem interesse em conhecer mais sobre o plantio direto, seus benefícios e história. Após o seu falecimento no dia 8 de setembro de 2015, a propriedade passou a ter o seu filho Manoel Henrique Pereira Junior na gestão da produção e na manutenção de um dos maiores acervos sobre o plantio direto no Brasil.

A Fazenda Agripastos dispõe de um galpão-museu que guarda em seu acervo a história da propriedade, da família “Pereira”, e a história do “Plantio Direto na Palha nos Campos Gerais do Paraná” ilustrada com dezenas de máquinas e equipamentos usados nos primeiros experimentos no campo, pôsteres de eventos como o famoso Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, fotos e recordações. São quatro décadas de história do plantio direto. O museu é aberto ao público com agendamento prévio e recebe anualmente a visita de estudantes universitários, ensino médio e pós-graduação de várias entidades.

Parte da história de Nonô Pereira está disponível no livro “Nonô Pereira: 25 anos plantando na palha”, escrito por Gilberto de Oliveira Borges e disponível para compra no link https://www.plantiodireto.com.br/livros.

Visita dos jornalistas à parte de máquinas e equipamentos do galpão-museu

 

Exposição dos cartazes das primeiras edições do Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha