IAPAR valida opções vantajosas de consórcio

Redação FEBRAPDP 11/10/2018

 

Pesquisadores do IAPAR apresentam sistemas ILP que associam benefícios agronômicos e econômicos para lavouras em Plantio Direto

Da Redação FEBRAPDP

Aveia IPR Artemis

A 5ª Jornada Tecnológica no Campo – Integração Lavoura-Pecuária, realizada pelo Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), em setembro, no município de Santa Tereza do Oeste, apresentou a produtores rurais, técnicos e estudantes alternativas para diversificação com introdução da pecuária no sistema produtivo.

Entre as diversas tecnologias apresentadas durante o evento, duas chamaram a atenção por conciliar a produção de grãos e a produção de carne ou leite com vantagens agronômicas para o Sistema Plantio Direto. A primeira delas baseia-se em trabalhos com o uso da aveia granífera, no qual o grão é usado para suplementação de animais a pasto.

De acordo com o pesquisador do IAPAR Elir de Oliveira, é possível trabalhar com a ILP usando soja ou milho no verão e, no inverno, a partir de final de março/abril, entrar com consórcio de forrageiras para ter um rendimento com a pecuária nessa mesma área. “Existem hoje no mercado excelentes cultivares de aveia granífera para uso humano e que nós estamos destinando para alimentação animal. São cultivares novas como a IPR Afrodite e a IPR Artemis, do IAPAR, e URS Brava, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e também outros materiais das Universidades de Passo Fundo e de Pelotas. Em campos experimentais, os materiais chegam a produzir 10 toneladas de grãos por hectare e em propriedades em fazendas comerciais a produção de 6 a 7 toneladas por hectare é normal”, ressalta.

O pesquisador destaca também que o sistema, além da produção do grão, fornece também a manutenção da palhada. E mais: de acordo com a cultivar escolhida, é possível fazer o manejo do solo e o manejo de nematoides do solo. Segundo ele, a IPR Afrodite, por exemplo, é resistente ao javanica e ao incognita, enquanto o URS Brava é resistente ao pratylenchus. Dessa forma, é viável configurar um sistema de rotação de culturas visando, inclusive, o manejo de nematoides.

“Podemos usar o grão seco da aveia granifera para suplementação animal, por exemplo, usando 1% de oferta de aveia do peso vivo e o outro 1% ou 1,5% o gado vai retirar da palhada. A aveia tem o dobro de proteína do milho e é produzida no inverno, então não compete com a cultura comercial. A aveia é ainda muito rica – mais até do que o milho – em cálcio, fósforo e aminoácidos essenciais para a produção de leite e da gordura do leite, como lisina, metionina, treonina, triptofano”.

Inserida no sistema de ILP, a aveia atuará para fazer a suplementação a pasto durante o ano, para regular também a pressão de pastejo em épocas mais críticas, quando houver déficit hídrico e a pastagem não estiver correspondendo a uma pressão de pastejo muito alta, o produtor pode aliviar essa pressão fornecendo 1% a 1,5% do peso vivo aos animais com a oferta de grãos de aveia.

Consórcio nabo com centeio

Outro destaque da 5ª Jornada Tecnológica no Campo foi a apresentação dos resultados obtidos com o consórcio de nabo IPR 116, que é o nabo pivotante, com centeio IPR 89 na proporção de 3/4 kg de nabo para 50 kg de centeio. A mistura é feita na caixa e, em seguida, o plantio é efetuado. Essa tecnologia mostrou-se vantajosa para a rotação de culturas dentro do Sistema Plantio Direto, principalmente, por melhorar o controle de plantas daninhas e a ciclagem de nutrientes.

Oliveira explica que o centeio é mais vantajoso que a aveia em consórcio com nabo. O motivo é o fato de que o centeio cresce muito rápido e de forma vertical, assim ele compete com nabo em condição de igualdade pela luz para fazer o processo fotossintético, mesmo que seja um ano com bastante chuva. Além disso, é uma gramínea com boa sanidade e também bastante lignificada, demorando mais para decompor sua palhada.

“Nossos trabalhos com rotação de cultura, em experimentos com e sem palha visando mostrar a importância para o Sistema Plantio Direto, obtiveram ganhos nos teores de matéria orgânica do solo na camada de 10 a 30 centímetros, onde o centeio foi superior à aveia e ao azevém. Na ciclagem de potássio, o centeio também foi superior à aveia e ao azevém, principalmente, quando detectado na mesma camada de profundidade do solo”.

Estes modelos são sistemas de rotação de cultura que o produtor pode fazer em 10% ou 20% da propriedade e, depois, vai rodando durante o ano. Assim, terá também outro sistema ILP, no qual o gado vai entrar na área de produção de grãos de verão e, no inverno, essa área será aproveitada com a produção de carne o leite. Desse modo, é possível modernizar a pecuária, deixando para trás o decadente modelo extrativista, onde os animais são abatidos com 3 ou 4 anos de idade e onde não se aduba pastagem.

“A ILP permite uma modernização da pecuária, trabalhando com animais cruzados (zebu com da raça europeia), baixando a idade de abate para menos de 24 meses de idade. Temos fazendas que estão abatendo animais com 13 meses e 17 arrobas. Esses animais são comercializados em cooperativas de carne que pagam também um preço maior pela sua qualidade, pelo marmoreio pela cobertura de gordura”, observa o pesquisador.