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Avanços do Plantio Direto e o que precisa ser feito

 


Equipe técnica da Agroconsult


Há muitas razões para explicar os avanços da produtividade agrícola brasileira na história recente, como o melhoramento genético das principais culturas, o aumento nos investimentos por parte dos produtores e as inovações no combate a pragas e ervas daninhas. Mas há um aspecto nem sempre lembrado com a devida importância: a adoção de boas práticas agronômicas fundamentais para as lavouras expressarem seu potencial produtivo. Talvez o melhor exemplo disso seja o sistema de Plantio Direto, cuja aplicação nos campos brasileiros aumentou em abrangência e em intensidade.


Os dados coletados anualmente pelo Rally da Safra mostram que, nos últimos 12 anos, aumentou o nível de proteção do solo. O Rally é a expedição técnica que avalia, todos os anos, as lavouras de soja e de milho safrinha no Brasil, com apoio da Fundação Agrisus desde 2006. Em 2018, mais de dois terços das lavouras de soja amostradas tinham muita cobertura de resíduos (superior a 40% da área do solo, de acordo com a metodologia). Em 2007, a parcela das lavouras nessa situação era de apenas um terço. O aumento do resíduo é um excelente indicador das condições do solo. Ao mesmo tempo, a parcela das amostras de lavouras nas quais não havia presença de resíduos – um forte indício de que o Plantio Direto não está sendo aplicado – caiu de 17% para 11%.


Esses indicadores são, de certa forma, confirmados pelas respostas dos produtores a questionários aplicados em uma série de eventos realizados durante o Rally da Safra. Na parcela de produtores que afirmam adotar, em algum grau de medida, o Plantio Direto passou de 96% para 99%. Mesmo assim, as conclusões obtidas até o momento dão uma boa ideia sobre os benefícios do Plantio Direto. Plantar uma nova safra sem tirar do campo a palhada da cultura anterior protege o solo nos períodos mais chuvosos, evitando a erosão e a lixiviação dos fertilizantes. Na época de seca, o aumento da palhada mantém a umidade por mais tempo no solo, fazendo as lavouras resistirem à falta d’água por um período maior.


Um exemplo prático: o Plantio Direto ajudou os agricultores brasileiros a reduzirem problemas do solo prejudiciais ao potencial produtivo da soja e do milho. De acordo com os dados de campo coletados pelas equipes técnicas do Rally da Safra em mais de uma década, o número de lavouras de soja com sinais de erosão caiu pela metade de 2017 para 2018. O resultado pode ser atribuído, em parte, ao Plantio Direto e à adoção cada vez mais frequente de terraceamento e da semeadura em nível por parte dos produtores. O histórico nas avaliações de soja está mais consolidado. A coleta de dados na área de milho safrinha é mais recente, e os resultados ainda são incipientes.


As conclusões do Rally da Safra baseiam-se em duas fontes principais. A primeira delas é a avaliação direta das condições das lavouras no campo. Em 2018, a expedição coletou 1.109 amostras de lavouras de soja e 405 de milho safrinha em 310 municípios. De janeiro a junho, o projeto rodou cerca de 100 mil quilômetros. As outras fontes de informação são os próprios agricultores. O Rally realiza uma série de eventos para produtores nas principais cidades-polo da produção agrícola. Em 2018, foram dez. Os participantes são convidados a preencher um questionário no qual há perguntas sobre o nível de investimento nas lavouras, o planejamento das safras e as técnicas de plantio. Neste ano, 695 produtores responderam voluntariamente às perguntas.


Da análise dos dados, emerge um retrato do estado da arte do Plantio Direto no Brasil, cujas práticas do sistema estão se disseminando em todas as regiões. O estudo divide o País em quatro áreas com diferentes características agronômicas e climáticas: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sul do Paraná (Região 1); Norte e Oeste do Paraná, Sul do Mato Grosso do Sul e São Paulo (Região 2); Norte do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás (Região 3); e Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (o Matopiba, que é a Região 4).


Como era de se esperar, na Região 1, o Plantio Direto está mais disseminado. As medidas de preservação do solo tratam-se praticamente de um imperativo geográfico. Essa região do País é formada, em boa parte, por relevos acidentados, fazendo dela a que concentra a maior parcela das lavouras em solos inclinados e muito inclinados.


Na média, 87% das amostras coletadas pelo Rally da Safra, a cada ano, estão nessas condições. Mais do que os aspectos geográficos, os produtores do Sul também aproveitam algumas características agronômicas.


Nessa parte, há maior aptidão para o cultivo de lavouras de inverno, especialmente trigo e aveia. As duas culturas proporcionam um benefício importante para o plantio subsequente da soja e do milho. Pelas suas características, elas quebram os ciclos de pragas prejudiciais às culturas de verão e produzem uma excelente palhada, que fica no solo para a safra seguinte. De acordo com os dados do Rally, nessa região, a parcela do solo das lavouras de soja muito coberta por resíduos (acima de 40% da área) passou de 63% para 81% de 2006 a 2018. O alto grau de cobertura na região não é nada fora do esperado: as condições específicas, como o clima mais frio, alongam o período necessário para a degradação dos resíduos.


Nos locais onde grande parte das lavouras de verão são sucedidas pela safrinha, a predominância dos resíduos de milho nos cultivos de soja fica bastante evidente. Isso ocorre, principalmente, nas regiões 3 e 2, sendo que a primeira é composta por boa parte do Centro-Oeste, e a segunda, situada na transição entre o Sul e o Centro do País. De acordo com o levantamento de campo, desde 2006, a parcela da área com muita cobertura de resíduos aumentou de 32% para 70%, na Região 2, e de 29% para 66% na Região 3. Em ambas, o milho é o resíduo predominante nas lavouras de verão.


Região com menos adoção


De acordo com os dados do levantamento, é na Região 4 – basicamente Matopiba – que o Plantio Direto é menos aplicado. Há duas razões para o relativo atraso em relação ao restante do País. O relevo da região, predominantemente plano, e o clima (mais seco em boa parte do ano) reduzem os riscos de erosão. Além disso, a segunda safra na região é bastante limitada pela falta de chuva. Nessas condições, sobram poucos resíduos das lavouras de verão de um ano para o outro, especialmente no caso da soja e do algodão. Mesmo assim, a adoção do Plantio Direto por parte dos produtores está crescendo. Em 2006, cerca de 89% deles diziam adotar o Plantio Direto, e, neste ano, a parcela subiu para 92%. O relatório completo do estudo pode ser encontrado no site da Fundação Agrisus.


Apesar dos avanços, ainda há progressos a fazer. Existem obstáculos à implantação adequada do sistema de Plantio Direto em sua totalidade. Como a pouca diversidade de culturas comerciais viáveis para a rotação, em muitos casos limitada à soja e ao milho. Isso pode explicar, em parte, a persistência de alguns problemas no campo, como os relacionados à compactação do solo e à necessidade de seu revolvimento de tempos em tempos. O histórico do estudo mostra que a quantidade de amostras com sinais de solo compactado permaneceu praticamente inalterada ao longo dos anos. O Plantio Direto é uma unanimidade entre os produtores, mas a adoção integral do “sistema”, com a efetiva rotação de culturas, por exemplo, ainda não é regra, o que limita os seus benefícios e aponta para questões a enfrentar nos próximos anos.





Como funciona a metodologia


As equipes técnicas do Rally da Safra percorrem cerca de 100 mil quilômetros por safra avaliando lavouras de soja e de milho. Um dos aspectos avaliados diz respeito ao Sistema Plantio Direto. O trabalho, nesse caso, consiste em identificar a origem da palhada presente no solo e o percentual coberto pelos resíduos. Para isso, aplica-se, de forma adaptada, uma metodologia sugerida pelo Instituto Agronômico de Campinas/SP (IAC). Veja como isso é feito:


1 - O ponto de amostragem é escolhido no interior do talhão, em uma distância de, pelo menos, 50 metros da borda. O primeiro passo é averiguar se há no solo resíduos da cultura anterior – e, em caso afirmativo, de qual cultura se trata.


2 - Para avaliar quanto do solo está coberto pelos resíduos, percentualmente, os técnicos estendem uma trena no solo por um metro de modo a formar um ângulo de 45º em relação às linhas de plantio.


3 - O próximo passo é dividir a extensão da trena em dez segmentos de dez centímetros cada. Conta-se quantos desses segmentos se sobrepõem sobre o solo coberto de resíduos. Considera-se que cada um deles corresponde a 10% da área. Assim, se há, por exemplo, cinco segmentos sobrepostos sobre solo coberto com resíduos, 50% do solo está coberto.


4 - O procedimento é repetido uma segunda vez em um local diferente, e as duas amostras fornecem a média aproximada do solo coberto com resíduos das safras anteriores, uma das principais características do Plantio Direto.


Artigo publicado originalmente na Revista A Granja (Outubro/2018)

Revista A Granja - 05/10/2018 - 11:57:20


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