Solos saudáveis, plantas saudáveis

14/09/2018

 

Cuidados para evitar ou minimizar os efeitos das doenças de solo incluem a conservação do solo e o processo de semeadura

 

Da Redação FEBRAPDP

 

Foto: Alexandre Dinnys Roese/Embrapa

Todos conhecem os três princípios básicos do Sistema Plantio Direto: não revolvimento do solo, rotação de culturas e cobertura permanente do solo. As razões para que sejam tão enfatizados ao longo de décadas está nos benefícios que proporcionam ao sistema produtivo como um todo. O controle das preocupantes doenças de solo é um desses benefícios diretos. Cuidar da saúde do solo é cuidar da lavoura. Com a chegada da época da semeadura da soja, esta é uma questão importante a que o produtor deve estar atento.

De acordo com um artigo recentemente publicado pelo analista Alexandre Dinnys Roese e pelo pesquisador Augusto César Pereira Goulart, ambos da área de Fitopatologia da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, MS, pontos como a conservação do solo, a conservação da matéria orgânica, a atenuação de estresses provocados no solo e a redução do uso de insumos tóxicos aos organismos do solo fazem toda a diferença para o sucesso das estratégias de combate às doenças de solo.

“Os cuidados para evitar ou minimizar os efeitos das doenças incluem a conservação do solo e o processo de semeadura. E para a obtenção de produtividades elevadas, é fundamental que a implantação e desenvolvimento inicial da lavoura ocorram de forma adequada. Solos mal conservados ou em condições inadequadas (compactados, mal drenados, com baixa atividade microbiana e pobres em nutrientes) aumentam as chances de ocorrência de doenças provocadas por microrganismos. Ao contrário, solos bem manejados são geralmente supressivos a doenças”.

Doenças como podridão da raiz e da haste da soja, o tombamento de pré e pós-emergência, podridão-das-raízes e a podridão cinza da haste e da raiz são alguns desses problemas acarretados especialmente pela má conservação do solo, que acaba predispondo as plantas a diversas outras doenças também. Como, por exemplo, as doenças de final de ciclo (DFCs – mancha parda e crestamento foliar) são mais comuns em solos com baixos teores de nutrientes.

“Mesmo que o solo não seja pobre em nutrientes, a limitação no desenvolvimento radicular devido a problemas na estrutura do solo leva a deficiências nutricionais nas plantas. No caso de nematoides, os sintomas reflexos (secundários) na parte aérea das plantas (folha carijó, subdesenvolvimento) muitas vezes não são percebidos quando o solo está bem manejado. Esses exemplos mostram que o cuidado com a estrutura e composição do solo pode fazer com que muitas doenças não atinjam o limiar de dano, quando a doença ocorre mas não provoca redução na produtividade”, ressaltam.

No artigo, os fitopatologistas detalham que a conservação do solo pode ser alcançada por meio da redução da erosão e aumento de cobertura vegetal; já a conservação da matéria orgânica do solo, inclui a redução do preparo do solo, a aplicação de adubos orgânicos de origem vegetal ou animal, o aumento da diversidade de espécies cultivadas e o aumento do aporte de carbono ao solo; para a atenuação de estresses provocados no solo, é necessário otimizar o preparo, evitar operações agrícolas em solo com umidade inadequada, reduzir o trânsito de máquinas e favorecer a manutenção de resíduos vegetais na superfície do solo; e que redução do uso de insumos tóxicos aos organismos do solo, passa pelo manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas (proporcionando o emprego racional de pesticidas), o emprego de cultivares resistentes a pragas e doenças, a rotação de culturas e o uso de plantas de cobertura do solo.

Dessa forma, “a manutenção de boas condições físicas, químicas e biológicas nos solos agrícolas, aliado à observância da melhor época de semeadura, constitui-se em um cuidado fundamental para a sustentabilidade e a lucratividade das lavouras”.

Entenda como a má conservação do solo oportuniza algumas das principais doenças

  • Podridão da raiz e da haste da soja (podridão-radicular-de-fitóftora) causada por Phytophthora sojae:

O sintoma principal é o escurecimento ascendente, a partir da base da haste, subindo homogeneamente na planta até as ramificações da haste principal. As plantas murcham, mas não perdem as folhas. Solos compactados e encharcados favorecem o desenvolvimento do patógeno, permitindo que migre até as raízes das plantas. Solos argilosos são mais vulneráveis à ocorrência da doença. Em algumas regiões, as semeaduras mais antecipadas podem expor as plantas a baixas temperaturas, aumentando as chances de ocorrência da doença.

  • Tombamento de pré e pós-emergência causado por Rhizoctonia solani:

Os sintomas nas plântulas são o estrangulamento do colo, com lesões circulares marrom-avermelhadas, que tornam-se alongadas e deprimidas. As plântulas geralmente tombam até 15 dias após a emergência. A planta adulta desenvolve apodrecimento seco das raízes, estrangulamento do colo e lesões deprimidas e escuras abaixo e ao nível do solo, resultando em murcha, tombamento ou sobrevivência temporária com emissão de raízes adventícias acima da região afetada. Baixas temperaturas favorecem a doença.

  • Podridão-das-raízes causada por Fusarium solani:

O sintoma primário tem início na raiz principal que apresenta discreta coloração avermelhada, progredindo para marrom. As plantas apresentam apodrecimento do tecido interno da raiz e desintegração dos feixes vasculares, com consequente amarelecimento geral, murchamento e morte das plantas. Alta umidade do solo, altas temperaturas e compactação favorecem a doença.

  • Podridão cinza da haste e da raiz causado por Macrophomina phaseolina:

Os sintomas iniciais aparecem frequentemente no colo da planta, atingindo posteriormente a raiz principal e as partes superiores da haste e ramos primários. Observam-se lesões acinzentadas, difusas, de aspecto úmido, que evoluem para intensa podridão dos tecidos, onde são observadas inúmeras pontuações negras (microescleródios) que são as estruturas de reprodução e sobrevivência do fungo. Plantas infectadas apresentam amarelecimento generalizado, murchamento e morte. A doença pode se manifestar em todos os estádios de desenvolvimento das plantas. É favorecida por umidade do solo e temperaturas elevadas. Além disso, solos compactados restringem o desenvolvimento das raízes e predispõem as plantas ao ataque do fungo.