O Brasil tem problema, mas a solução pode estar na região de Formosa

14/09/2018

Por José Luiz Tejon Megido, diretor vice-presidente de Comunicação do Conselho Científico para a Agricultura Sustentável (CCAS)

 

Na região de Formosa, em Goiás, região do agro que envolve Luziânia e Unaí, há cerca de 1 milhão de hectares com 20% de irrigação. Neste miolo do Brasil, há produção de alta tecnologia de feijão, milho, soja, hortifruticultura e trigo.

Sim, o trigo que só se falava em produzir em clima de região temperada do planeta, brotou em Formosa na forma do trigo de cerrado, o trigo tropical criado pela Embrapa e que está indo muito bem.

O mundo olha para o país e, apesar de todas as guerras comerciais, as incertezas e a instabilidade, sem contar as nossas encrencas internas, há algo que nos entusiasma: ver a produção seguindo, o preparo da próxima safra em andamento e, com todas as dificuldades, encontrarmos produtores já com o seu adubo em casa, seus insumos e sementes, apenas esperando a hora do início da safra de verão.

Em Formosa, pertinho de Brasília, antigamente não havia nada. Hoje, além de uma agricultura avançada, existem processadores de cereais, feijão, transporte, logística e algo que chama a atenção de um brasileiro observador, como eu: fundos internacionais e nacionais andando pelo país em busca de negócios, oferecendo e convidando redes de revendas de insumos, de distribuição de tecnologia para negócios com o interesse de chineses, indianos e japoneses.

E a crise?

“Crise? Ora, a crise… temos que fazer o que tem que ser feito.”, me respondeu um produtor da região.

Alguém me perguntou na cidade de Formosa se há mais brasileiros querendo sair do país ou gente querendo vir para o Brasil, e eu disse: “Não tenho dúvida, tem muito mais interesses de olho no Brasil. A Archer Daniels Midland (ADM), grande global das tradings, acaba de comprar a operação agro da Algar, em Uberlândia”.

Aqui de Formosa, centro do Brasil, em meio a 1 milhão de hectares com 20% de irrigação, onde até o trigo viceja no meio do cerradão. Sem dúvida, isso significa esperança realista acima de incertezas de governos. Vença quem vencer as eleições.

É hora de começar a nova safra de verão, e o pessoal não para. Esse novo brasileiro do interior é forte e não consegue desanimar. Muito rico prestar atenção e a isso observar.