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A faca e o queijo nas mãos dos produtores

 


 Edson Bolfe, pesquisador Embrapa


 


 


A modificação de hábitos alimentares estabelecidos na sociedade é resultante de um complexo processo cultural, social, educacional, religioso, político e econômico. Estudo recente da Embrapa apontou o protagonismo do consumidor como uma das principais megatendências que influenciarão o futuro da agricultura brasileira nos próximos anos. O crescimento exponencial das tecnologias da informação e comunicação tem colocado os indivíduos cada vez mais no centro desse processo. O consumidor é influenciado e tem o poder de influenciar as cadeias agroalimentares.


O destaque desse protagonismo é a transformação de um consumo mecânico e irracional para um consumo planejado e consciente. Entre as tendências, podem-se destacar a sensorialidade, prazer, saudabilidade, bem-estar, conveniência, praticidade, confiabilidade, qualidade, sustentabilidade e ética. As mídias sociais e as plataformas de comércio eletrônico impulsionam a interação entre produtores, comerciantes e consumidores. É crescente a valorização de produtos agroalimentares regionais, típicos, orgânicos, vitamínicos, antialergênicos, gourmets, rastreados e aqueles produzidos por meio de processos sustentáveis e em que o bem-estar animal esteve garantido.


Pesquisa realizada pela Fiesp em 12 regiões metropolitanas no Brasil apontou que, entre 2010 e 2017, o percentual de brasileiros que se consideram muito bem informados sobre a importância dos alimentos para a saúde passou de 15% para 21%. No período, o acesso à internet consolidou-se como a principal fonte de informação,sendo o meio preferido por 40% da população consultada. A televisão é fonte de 24%, e os médicos e nutricionistas, por sua vez, são fonte de 18%.


Essa maior conectividade ampliou o nível de conhecimento dos consumidores sobre a maioria dos termos relacionados à alimentação. Em 2017, 66% afirmaram que conheciam termos associados aos produtos orgânicos, 66% aos selos de qualidade, 50% ao enriquecimento dos alimentos, 48% à sustentabilidade, 40 % aos transgênicos, 35% aos funcionais, 35% a emissões de carbono e, 20% à rastreabilidade. A ciência e a tecnologia já desenvolvem sistemas de produção genuinamente brasileiros e que atendem aos anseios dos consumidores. Destacam-se a produção orgânica, fixação biológica de nitrogênio, plantio direto, sistemas agroflorestais e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Ou seja, é mais arroz, feijão, milho, trigo, hortaliças, carnes, ovos, frutas, sucos, café, leite e queijo com qualidade e sustentabilidade na mesa dos consumidores.


É fundamental que produtores rurais e agroindústrias acompanhem essas transformações dos comportamentos, desejos, crenças, preocupações e hábitos da população. Dessa forma, podem estabelecer novos processos, produtos e mercados para desenvolverem ainda mais o meio rural brasileiro.


 


Artigo publicado originalmente no Jornal Zero Hora em junho de 2018

Jornal Zero Hora - 29/06/2018 - 08:03:02


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