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Terraços têm importância estratégica para a lavoura

Responsáveis por uma boa parte da água infiltrada no solo, terraços vêm perdendo espaço para máquinas de grande porte


Da Redação FEBRAPDP


Palhada de braquiária como planta de cobertura

Legenda: Palhada de braquiária como planta de cobertura cobre o solo de uma lavoura de arroz de terras altas em Latossolo de textura argilosa, em Santo Antônio de Goiás, GO. Ao fundo, observa-se o terraço em nível


Foto: Pedro L. O. de A. Machado/Embrapa




Um movimento tem chamado a atenção de técnicos, pesquisadores e especialistas em práticas conservacionistas: a redução dos terraços na lavoura. A razão principal é o aumento nas dimensões das máquinas agrícolas, que requerem áreas maiores para executar suas manobras. Como os terraços limitam essa operação, eles têm sido removidos.


De olho nas janelas de plantio, sobretudo das variedades mais precoces, muitos produtores têm feito a opção por plantadeiras e colheitadeiras de grande porte, que asseguram operações em espaços mais curtos de tempo. O fenômeno é curioso, pois, ao adaptar o solo às necessidades das máquinas, parece subverter a ordem de conceitos essenciais para a própria sustentabilidade de seu sistema produtivo.


Os terraços têm como finalidade auxiliar na infiltração de água no solo. Por definição, é um recurso que reduz a velocidade de escoamento da água da chuva, pois intercepta o fluxo e aumenta o tempo de oportunidade de infiltração dessa água no solo. São valetas em nível perpendicular ao declive do terreno das áreas de plantio.


De acordo com Sumar Ganem, agrônomo especializado em bacias hidrográficas e coordenador do Programa de Manejo e Conservação da Emater DF, a associação das práticas de terraceamento com o Sistema Plantio Direto é “uma união perfeita”, pois une a produção de água em quantidade e em qualidade. Ele observa que o terraço aumenta o volume de água infiltrada e o SPD, entre outras coisas, ao preservar a camada mais superficial do solo, evita a perda de sedimentos que iriam para os rios e córregos elevando a turbidez da água do abastecimento às populações.


 


Rentabilidade comprometida


“Os produtores estão diminuindo os terraços e isso está acontecendo com grande velocidade e de uma forma preocupante. Se, por um lado, ganha-se tempo nas operações, por outro, reduz-se a oferta da água disponível no solo. Não adianta garantir a melhor mecanização possível, se não estiver garantindo o armazenamento de água para atender todo o ciclo da cultura. Ganha-se no tempo, mas perde-se na rentabilidade da lavoura”, explica Ganem.


Responsável pelo programa produtor de água, que tem como um dos principais indicadores para o PSA a não erosão, Ganem lembra que em uma realidade de Cerrado, estudos realizados pela Universidade Federal de Viçosa, observaram que nas áreas onde os terraços foram retirados, houve uma redução da ordem de 20% da infiltração da água no solo. A redução da presença da água no disponível pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso da lavoura. Ao não ter tido um maior Infiltração e retenção de água, compromete as capacidades físicas, químicas e até biológicas do solo.


Segundo Ganem, uma alternativa para manter a infiltração de água no solo é, ao invés de eliminar os terraços, apenas aumentar o espaçamento entre eles. Todavia, para que seja possível, o solo precisa estar bem estruturado. O Plantio Direto, por focar nas práticas de manejo, como descompactação do solo, rotação, aumento da cobertura, atua diretamente na melhoria na parte estrutural do solo, trazendo-o o mais próximo possível de suas condições naturais originais.


Vale destacar que esta alternativa vale apenas para lavouras que operem dentro do SPD original, aquele que observa os seus princípios elementares; não me refiro a práticas como a de cultivo mínimo, que contempla apenas parcialmente ideias do SPD. Então há dois ganhos: aumento da infiltração e da trafegabilidade das máquinas maiores.


Outro dado interessante correlacionando estruturação do solo e SPD é que, para cada 1% de aumento do teor matéria de orgânica no solo, a capacidade de retenção de água cresce de 30 a 40%.


 


Responsabilidades


Em março deste ano, o Programa Produtor de Águas chegou à bacia do Rio Descoberto, que já chegou a atender a 1,8 milhão de pessoas, cerca de 67% da população do Distrito Federal, e, atualmente, atende a 54% por causa da entrada de outras captações, como do Rio Paranoá, por exemplo. De início, o programa limitava-se à bacia do Ribeirão Pipiripau, que abastecia 240 mil pessoas.


Existe um movimento crescente em torno do aumento da importância estratégica do produtor rural nesse jogo. Já é uma realidade a noção de que as áreas rurais produzem não só alimentos, mas também água para a sociedade como um todo. É nessa esteira de responsabilidade social, que a responsabilidade ambiental ganha força. Assim, práticas conservacionistas são cruciais não só para a própria sustentabilidade do sistema produtivo e tudo que ele envolve (meio ambiente, aspectos agronômicos e resultados econômicos), mas também para a sociedade que o rodeia.

Da Redação FEBRAPDP - 04/05/2018 - 14:11:55


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