Aplicação foliar de magnésio aumenta produtividade e peso dos grãos

Da Redação FEBRAPDP 29/03/2018

Lucratividade e baixo custo de manejo para soja e milho

Da Redação FEBRAPDP

Eficiente e economicamente viável, a aplicação foliar do magnésio ainda é uma alternativa pouco utilizada para corrigir a deficiência do elemento na adubação das lavouras nacionais. Pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão (GAPE-ESALQ/USP), verificaram o efeito positivo da técnica na qualidade e rendimento de graníferas. Com um manejo de baixo custo e ótimo retorno financeiro, os experimentos registraram ganhos de 5 e 12 sacos de 60 kg por hectare na cultura da soja e milho, respectivamente, além do aumento do peso dos grãos.

Eduardo Zavaschi, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e coordenador técnico/científico do GAPE, explica que o modelo consiste no fornecimento do nutriente pela aplicação de fontes fluidas sobre as folhas das plantas. De acordo com ele, os melhores resultados em incremento de produtividade ocorreram com o uso de magnésio via foliar no início do florescimento e/ou enchimento de grãos e aproximadamente entre 60 a 90 dias antes da colheita dos colmos de cana-de-açúcar.

“Coordenado pelos professores da ESALQ/USP, Dr. Godofredo Cesar Vitti e Dr. Rafael Otto, o GAPE realizou estudos avaliando doses e épocas de aplicação foliar de Mg, nas culturas de soja e milho, em área agrícola na região de Uberlândia-MG. Na cultura da soja avaliou-se a aplicação de 0, 25, 50, 100, 250, 500 e 1.000 g ha-1 de Mg aplicados no estádio fenológico de V4 (Vegetativo), R1 (início do florescimento) ou R5 (início do enchimento de grãos). Na cultura do milho avaliou-se a aplicação de 0, 50, 100, 250, 500, 1.000 e 1.500 g ha-1 de Mg aplicados no estádio fenológico de V4 (Vegetativo), R2 (início do florescimento). A doses Mg, que resultaram em melhor desempenho em produtividade nas culturas de soja e milho, foram de 540 e 880 g/ha respectivamente. A fonte de Mg utilizada no estudo foi sulfato de magnésio heptahidratado. Atualmente o grupo está avaliando a aplicação de diferentes fontes de magnésio na aplicação foliar na cultura do milho, cujos resultados ainda não estão disponíveis", revela.

Zavaschi explica que uma das principais funções no magnésio nas plantas é ser constituinte da clorofila, pigmento extremamente importante no processo fotossintético, atuando em outras rotas metabólicas, como fosforilação, ativação de múltiplas enzimas e translocação de fotoassimilados.

“Desta forma plantas deficientes em magnésio podem apresentar clorose nas folhas (devido à produção deficiente de clorofila), menor translocação de fotoassimilados para órgãos de reserva (colmo, no caso da cana-de-açúcar) ou de reprodução (flores e grãos, no caso de culturas graníferas, como soja, milho, feijão e trigo) e maior sensibilidade a estresses abióticos, como altas temperaturas e luminosidade", analisa.

Ainda segundo o especialista, o magnésio é usualmente negligenciado na adubação das culturas, porque está presente nos calcários, que são os principais corretivos de acidez do solo. No entanto, são utilizados em aplicações esporádicas e apresentam baixa solubilidade, gerando uma aumento da relação K/Mg e maior absorção de potássio, o que propicia deficiência de Mg na planta.

“Muitas vezes apesar de existir quantidade de magnésio suficiente para atender as exigências das culturas, o fato de estar desbalanceado em relação a cálcio e principalmente potássio, pode levar a uma menor absorção de Mg pelas plantas, levando as mesmas a terem deficiência deste nutriente em seus tecidos (relação no solo de Ca + Mg/K ideal varia de 13 a 25). Este desequilíbrio na absorção pelas plantas, com relação ao potássio deve-se aos aportes anuais de K via adubações com cloreto de potássio (KCl), que é um fertilizante muito solúvel", diz ele.

Zavaschi já reconhece um crescimento significativo do manejo de aplicação de magnésio nas últimas safras, mas observa a limitação na divulgação dos resultados como o grande desafio para aumentar a disseminação da prática junto aos produtores e técnicos no país.