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Pesquisa valida uso de inoculante associado à redução de adubação no milho

Inoculação de milho em lavoura de milho permite reduzir a adubação nitrogenada


Por Gabriel Faria, Embrapa Agrossilvipastoril


 



Inoculação de milho em lavoura de milho permite reduzir a adubação nitrogenada


Ao menos três fazendas em Mato Grosso, mais o campo experimental da Embrapa Agrossilvipastoril, receberão nesta safra ensaios de validação do uso de inoculantes de Azospirillum na cultura do milho. O trabalho conduzido em parceria com a Aprosoja visa confirmar a possibilidade de redução da adubação nitrogenada sem prejuízo para a produtividade.


Os ensaios serão montados em fazendas em Santa Carmem, Ipiranga do Norte e Brasnorte, além de Sinop, onde está o centro de pesquisa da Embrapa.


De acordo com o pesquisador da Embrapa Anderson Ferreira, o objetivo do trabalho feito nas fazendas é validar em escala comercial os resultados obtidos em experimentos realizados em Sinop. No trabalho feito até aqui, percebeu-se que com a inoculação da bactéria Azospirillum nas sementes é possível reduzir em até 25% a dose da adubação nitrogenada, sem haver perdas na produção. Com isso, além da redução dos custos, é possível diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa, como o óxido nitroso, por exemplo.


“Se o produtor usa 200 kg de ureia por hectare, gasta cerca de R$ 300. Ao reduzir 25%, ele economiza R$ 75 enquanto gasta somente de R$ 7 a R$ 10 com inoculante por hectare. Isso sem contar economia com transporte, armazenagem e aplicação”, destaca Anderson Ferreira.


Assim como Rhizobium na cultura da soja, a bactéria Azospirillum é capaz de captar o nitrogênio da atmosfera e transformá-lo em nitrogênio assimilável pelas plantas, num processo natural chamado de fixação biológica de nitrogênio (FBN). Diferentemente da cultura da soja, que é uma leguminosa, na qual é possível suprimir totalmente a adubação nitrogenada, nas gramíneas a associação feita não gera nutriente suficiente para a planta.


O pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril explica que nas pesquisas feitas, percebeu-se que o efeito de fixação biológica de nitrogênio pelo Azospirillum é menor quando são usadas altas dosagens de adubação. Na medida em que se reduz essa disponibilidade de nutriente, percebe-se maior efeito da inoculação. Porém há um limite nessa redução para que não haja perda de produtividade.


“Se há grande disponibilidade de nitrogênio, a planta não vai querer se associar com a bactéria e ceder parte de sua energia a ela. Agora, com menos nitrogênio no solo, a associação entre planta e bactéria se intensifica, gerando o maior benefício”, explica Ferreira.


Para validar as informações, em cada uma das fazendas serão comparados talhões com e sem uso de inoculantes, com 100%, 75% e 0% da adubação nitrogenada recomendada.


Nesta fase da pesquisa, a validação nas fazendas será feita durante dois anos. A expectativa é que na safra 2018/2019 o trabalho também seja feito nas regiões leste e sul de Mato Grosso, de forma a contemplar as principais regiões produtoras do estado. Ao fim do trabalho, espera-se ter elementos suficientes para poder recomendar aos produtores de milho.


Crescimento de raiz


Além da fixação biológica de nitrogênio, o Azospirillum traz outro importante benefício às plantas. Pesquisas realizadas pela Embrapa mostraram que essa bactéria estimula a produção de hormônios de crescimento, sobretudo de raiz. Com maior volume de raiz, as plantas têm melhor capacidade de absorção de nutrientes, resistindo melhor a veranicos e outras adversidades.

Da Redação FEBRAPDP - 08/02/2018 - 16:44:03


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