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16º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha
Adoção do SPD de forma integral ainda é desafio

Uso parcial da tecnologia em boa parte das lavouras brasileiras inviabiliza resultados melhores

Por Redação FEBRAPDP

 


O avanço tecnológico e a adoção de novas práticas na agricultura têm sido fundamentais para o crescimento do Brasil, que figura entre os principais produtores agrícolas do planeta. Dados da Embrapa estimam que 75% da área ocupada por lavouras anuais de grãos no país utilizam semeadura em plantio direto. Com alta performance produtiva e ambientalmente sustentável, o sistema chega a dobrar os resultados alcançados pelo plantio convencional, promovendo também a conservação do solo e das reservas hídricas.

 

Apesar da grande presença do plantio direto nas lavouras brasileiras, ainda é pequeno o percentual da área em que a técnica do Sistema Plantio Direto (SPD) é integralmente empregada. Seus três pilares básicos: rotação de culturas, não revolvimento do solo e formação de palhada de cobertura são usados conjuntamente em não mais que 15% das áreas de cultivos de grãos, de acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, Henrique Debiasi.

 

Integrante da terceira geração de profissionais que conduz um experimento pioneiro em SPD na Embrapa Soja, há 36 anos, Debiasi considera a transferência de tecnologia como o principal desafio para que a técnica seja incorporada no campo em sua plenitude, como um sistema que preconiza não somente o mínimo revolvimento do solo, mas também a cobertura permanente e a rotação de culturas.

 

“É importante frisar que para alcançar todos os benefícios não basta semear sem revolver, mas temos que pensar em outras formas para motivar o produtor. Hoje, se formos observar há uma grande área em plantio direto; porém, em SPD mesmo, com os três princípios básicos, não vai passar de 10 ou 15%. O grande desafio é criar novas ferramentas de tecnologia que venham a sensibilizar o produtor de que ele pode ganhar economicamente adotando o SPD de forma integral", explica.

 

Debiasi afirma que a área de pesquisa também precisa continuar a desenvolver ferramentas e opções para as configurações de sistemas que atendam melhor às necessidades dos agricultores. Segundo ele, o projeto de unidades de referência tecnológica, desenvolvido pela Emater no Paraná, é um bom exemplo.

 

“Existem instituições envolvidas em pesquisas de consorciação de culturas, o milho consorciado com a braquiária é uma tecnologia que ajuda muito. Nas áreas de trigo, temos estudado culturas de ciclo curto entre a colheita da soja e o plantio do trigo, as chamadas culturas de janela. É um desafio de pesquisa também, mas principalmente de transferência. Temos que trabalhar juntos para alcançar o produtor. A Emater aqui do Paraná tem um projeto, que tem dado muito certo, que é o uso de unidades de referência tecnológica, aonde o produtor não vai simplesmente assistir a uma palestra, mas pode ver o trabalho na prática", revela.

 

36 anos de experimento

Segundo o pesquisador, a produtividade e os riscos de compactação do solo foram os dois principais aspectos avaliados ao longo das mais de três décadas do experimento da Embrapa Soja. Debiasi comenta ainda sobre o desenvolvimento das pesquisas, desde as motivações econômicas, que deram origem ao estudo, até os resultados atuais quando a agricultura nacional já atingiu um perfil de sustentabilidade comparativamente à agricultura de outros países.

 

“O objetivo não era verificar a eficiência do SPD enquanto prática de redução da erosão e conservação ambiental. Era avaliar o desempenho produtivo da soja e do trigo, principais culturas da região. Nos primórdios, se tinha muitas dúvidas com relação à viabilidade do PD porque, aqui na região norte do Paraná, os solos são muito argilosos, então o não revolvimento do solo acarretaria em compactação. E também a questão da exequibilidade com relação à planta daninha. Nos primeiros anos, tudo que se conhece hoje, esse experimento demonstrou. Isso se constituiu em informações importantes para disseminar o sistema, assim como experimentos conduzidos por outras instituições mostraram a mesma coisa. Nos primeiros cinco anos a produtividade da soja e do trigo era menor em SPD do que no convencional, porque o SPD necessita de um tempo de maturação para se reequilibrar biologicamente, acumular matéria orgânica e começar a responder. No início isso foi visto com preocupação e foram quatro anos em que se produziu menos, do quinto até o décimo segundo, começou a produzir igual. E depois de doze anos, a soja sempre produziu melhor no SPD. Hoje a produtividade é em média o dobro no SPD, uma diferença de 2000 kg por hectare para 3600 kg por hectare. E o bom manejo da palhada com diversificação de culturas e raízes no sistema é possível manter o solo sem compactação excessiva. Essa tecnologia partiu de um produtor, e depois a pesquisa e assistência técnica vieram à reboque ajudando. Hoje, esses experimentos ainda são importantes, estudos sobre acúmulo de carbono orgânico, emissões de gases causadores do efeito estufa comprovam o potencial de sustentabilidade", ressalta.

 

O avanço tecnológico de manejo, a mecanização e a construção das bases do plantio direto, registrados ao longo desse experimento, iniciado durante a safra de 1981, deram origem à publicação Sistemas de Preparo de Solo: Trinta Anos de Pesquisa na Embrapa Soja. Disponível no site da Embrapa, o conteúdo tem o propósito de subsidiar as decisões de manejo de técnicos e agricultores.

 

http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/92107/1/Doc-342-OL.pdf

 

Redação FEBRAPDP - 20/07/2017 - 15:21:12


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