Convergência direta

Da Redação FEBRAPDP 11/08/2022

 

Foto: Divulgação Aapresid

 

Foz do Iguaçu, Brasil, de 5 a 8 de julho; Colonia Friesland, Paraguai, de 3 a 5 de agosto; Rosário, Argentina, de 10 a 12 de agosto; Uruguai, dias 18 e 19 de outubro... América do Sul afora, o Sistema Plantio Direto vem se encontrando para avaliar os caminhos percorridos e planejar os próximos passos. Seja em português (Plantio Direto) ou espanhol (Siembra Directa), o conceito conservacionista da agricultura pensada, exercida e defendida é um ponto de união e convergência de interesses comuns, que precisa e está sendo aprimorado a cada encontro realizado com vistas a um futuro mais sustentável. 

Esta semana, o Congreso Aapresid 2022 - La siembra directa reúne na província de Rosário, Argentina, atores do segmento nacional e de países vizinhos, como produtores, pesquisadores e empresários para conhecer pontos de vista e pensar soluções conjuntas que transcendem fronteiras. Na semana passada, com a mesma proposta, Colonia Friesland, no Paraguai, foi o palco do Encuentro Nacional de Siembra Directa. Em outubro, o Encuentro Nacional de Siembra Directa de AUSID, no Uruguai, fechará o circuito dos encontros promovidos pelas instituições nacionais ligadas ao SPD; respectivamente, são elas: Federación Paraguaya de Siembra Directa para una Agricultura Sustentable – FEPASIDIAS, e Asociación Argentina de Productores en Siembra Directa – AAPRESID, e Asociación Uruguaya Pro Siembra Directa – AUSID. Circuito este iniciado em julho com o 18º Encontro Nacional do Plantio Direto na Palha e o 1º Encontro Mundial do Sistema Plantio Direto, promovidos pela Federação Brasileira do Plantio Direto – FEBRAPDP.

As quatro entidades, juntamente com a Asociacion Mexicana de Labranza de Conservacion – AMLC, compõem a Confederación de Asociaciones Americanas para una Agricultura Sustentable – CAAPAS, da qual Jonadan Ma, presidente da FEBRAPDP, também está à frente da presidência. Segundo ele, a realização desses congressos nacionais promove, integra e fortalece os princípios da agricultura sustentável nestes países fundadores da CAAPAS e que são, atualmente, em termos de área e produção os principais usuários do sistema conservacionista.

“A ideia é fortalecer não só o SPD, mas também fomentar uma agricultura realmente sustentável nesses países que cumprirão, junto com a América do Norte, a missão de produzir alimentos para o mundo inteiro. É crucial que somemos forças entre todos os países para que consigamos conquistar o mercado mundial com base em uma agricultura sustentável e, assim, tenhamos o reconhecimento internacional de que realmente o SPD é um modelo que protege o meio ambiente, sequestra carbono e oferece condições de vida mais adequadas para as pessoas, o meio ambiente, o solo e as águas”, diz. 

Ele prossegue: “tudo pode ser feito com o SPD, desde o plantio de grãos, fruticultura, café, horticultura, cana-de-açúcar... O que precisa ser mostrado é que, para além da tecnologia, o plantio direto pode ser um sistema de vida passível de adoção por parte das pessoas de muitos países a fim de que haja crescimento produtivo com sustentabilidade. Para isso, estamos estimulando e fomentando a pesquisa e a divulgação das práticas para conduzir da melhor maneira possível o manejo de solo e o aproveitamento da água, a fim de produzir alimentos com responsabilidade sócio-ambiental. É isso que nós queremos e é muito bom ver todos esses países integrados e trabalhando juntos”.

Ma, explica ainda que a CAAPAS encontra-se também num esforço institucional para estabelecer as participações do Chile (Centro de Desarrollo de la Cero Labranza – CEDECELA) e da Bolívia (Asociacion de Productores de Oleaginosas y Trigo – ANAPO) no grupo de nações-membros e, prevê, para um futuro próximo, a inclusão dos Estados Unidos (Conservation Technology Information Center – CTIC) e do Canadá (Soil Conservation Council of Canada – SCCC) na entidade.

Busca pelo equilíbrio
David Roggero, presidente da AAPRESID, explica que está é a 30ª edição do evento argentino, cujo principal objetivo é compartilhar conhecimentos acerca de uma produção sustentável de alimentos, fibra e energia baseado na ciência e na inovação. O evento está reunindo produtores de todas as regiões agrícolas da Argentina, bem como de outros países, que mandaram pesquisadores e técnicos de diversas instituições de pesquisa e desenvolvimento. Participam também políticos, professores, estudantes e a imprensa. 

Segundo Roggero, trata-se de um sistema complexo e que requer constante atualização por parte dos seus usuários. Neste sentido, o encontro é uma oportunidade importante para se ter acesso às principais novidades e experiências disponíveis. 

“Temos diversos desafios enquanto instituição. Porque quando olhamos para o conceito da sustentabilidade dentro da produção de alimentos, precisamos necessariamente olhar também para três aspectos distintos: o agronômico/produtivo, o social e o ambiental. O desafio é encontrar o equilíbrio entre essas três frentes que, em si, podem ser bastante antagônicas entre elas. A meta como instituição, então, é viabilizar uma abordagem que precisa ser holística e geral a fim fomentar a melhor maneira que o homem possa produzir e levar adiante essa atividade baseado na ciência”.

Capacitação
De acordo com Martín Cubilla, presidente da FEPASIDIAS, o principal objetivo do encontro realizado na semana passada no Paraguai foi capacitação. O que, segundo acontece por intermédio da atualização e da difusão do SPD, "levando a um público cada vez maior, formado de modo crescente por muitos jovens, os novos resultados e as melhores práticas que estão acontecendo nas regiões produtivas. Mostrando, através da vivência de pesquisadores e produtores, os efeitos diretos e benéficos do SPD em diversas regiões do país e da América Latina.

Cubilla explica ainda que no Paraguai há áreas ainda a ser exploradas, como os campos nativos e áreas de várzea, que podem ter no SPD uma eficaz ferramenta para o manejo e conservação de solo e água. “Estamos hoje com 3,8 milhões de hectares agricultados e 99% deles com cobertura, segundo dados apurados em um levantamento realizado por satélite. O desafio é manter esse percentual, evitando que, por questões variadas, o produtor se sinta tentado a mexer o solo por conta de invasoras, compactação ou incorporação de calcário. Aumentar a diversificação de culturas e eliminar o revolvimento do solo também é uma de nossas preocupações. Outra frente é estar cada vez mais atento à questão da qualidade do SPD, consolidando o hábito de sempre observar os aspectos físicos, químicos e biológicos do solo”.