Manejo ecológico de insetos busca impulsionar produção agrícola sustentável

Por Marina Torres, Embrapa Milho e Sorgo 11/08/2022
Foto: Filipe Russo/Embrapa

 

Com o objetivo de construir bases para a produção agrícola cada vez mais sustentável na região da Zona da Mata Mineira, foi realizado um dia de campo sobre manejo ecológico de insetos, no município de Canaã, no dia 4 de agosto.
O pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Walter Matrangolo apresentou conceitos sobre ecologia e sobre controle biológico de insetos, que se baseia no uso de organismos vivos para suprimir a população de uma praga e torná-la menos abundante ou menos danosa.
Os participantes, cerca de 90 produtores rurais, foram convidados a observar fotografias de insetos abrigados pela leguminosa perene cratília (Cratylia argentea) e escolher algumas que trouxessem uma lembrança particular ou despertasse interesse. Após 15 minutos, foi solicitado que os produtores falassem sobre as fotos escolhidas. A partir das considerações e dos questionamentos dos participantes, foram dadas explicações sobre os organismos presentes nas fotos, que são agentes de controle biológico, ou seja, insetos benéficos, considerados inimigos naturais de pragas.
Walter Matrangolo explica que enquanto alguns organismos podem prejudicar uma planta e até levá-la à morte, como os chamados insetos fitófagos, outros seres podem controlar essas populações e impedir que destruam lavouras. “São muitos os insetos que se nutrem de outros insetos, impedindo que ocorram explosões populacionais”, comenta o pesquisador.
Alguns dos participantes do dia de campo reconheceram parte dos insetos das fotos sem, no entanto, terem o conhecimento do papel ecológico que eles desempenham. “Abordar os conceitos ecológicos a partir da curiosidade dos produtores favoreceu o entendimento dos potenciais serviços ambientais que esses organismos promovem em sistemas agrobiodiversos. Foi possível criar um ambiente de diálogo sobre a importância desse conhecimento para evitar enganos frequentes, como a aplicação de agrotóxicos por causa da presença de insetos que são, na verdade, organismos benéficos nas áreas de cultivo, erroneamente tratados como pragas”, explicou Matrangolo. 
O pesquisador apresentou o conceito de controle biológico conservativo. A prática baseia-se no entendimento de que os agroecossistemas podem ser manejados com o objetivo de conservar e aumentar as populações de inimigos naturais e assim ampliar o controle natural das pragas. Plantas como a cratília, por exemplo, são capazes de nutrir muitos agentes de controle biológico e abelhas da região com o néctar e o pólen que produzem.
O dia de campo foi uma promoção da empresa Matas de Minas, do grupo AgroAlimentos, que integra vários agricultores familiares produtores de frutas e hortaliças, inclusive milho-doce e milho-verde, em parceria com a Embrapa. O evento integra as atividades do projeto “Sistema de produção de milho orgânico na região Central de Minas Gerais”, desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo, com participação direta de membros do setor produtivo.
Marcelo Guilherme da Silva, diretor presidente da Matas de Minas, afirma que o dia de campo busca estimular uma produção sustentável. “Essa ação visa promover uma estratégia de redução de inseticidas a partir do controle biológico e de um somatório de estratégias. Além disso, busca impulsionar uma maior viabilidade econômica da produção das propriedades rurais”. Marcelo Guilherme conta que a agricultura familiar na região é integrada com a produção de aves. “Todos os produtores praticamente trabalham com milho. Dessa forma, o dia de campo visou também qualificar a produção de milho na região”.
O pesquisador Walter Matrangolo explica que a dinâmica realizada no evento tem o intuito de estimular a percepção da biodiversidade de insetos, muitas vezes, desconhecida. “É importante conhecer para conservar os amigos naturais. Ampliar a percepção ambiental é uma estratégia de melhoria da produção”, afirma o pesquisador.
O dia de campo foi realizado na Fazenda Papagaio, da agricultora Ana Maria Bittencourt. Além de produtores de Canaã, teve também presença de agricultores de São Miguel do Anta, Ervália, Viçosa, Santo Antônio do Grama, Guaraciaba, Teixeiras, Coimbra, Pedra do Anta, Amparo do Serra e Goianá, municípios da Zona da Mata Mineira que têm como base de sua economia a agricultura familiar.