Embrapa vai lançar capim específico para integração lavoura-pecuária

Da Redação Giro do Boi/Canal Rural 15/07/2021

Brachiaria ruziziensis em Sistema Plantio Direto - Foto ilustrativa: Luís Wagner Rodrigues Alves – Reprodução Embrapa

O avanço dos sistemas integrados de produção no Brasil está sendo acompanhado de perto pelo competente setor de pesquisa agropecuária no Brasil. Em reportagem exibida no Giro do Boi, o pesquisador da Embrapa Cerrados Gustavo Braga, que é zootecnista e doutor em ciência animal e pastagens, confirmou que a entidade já está trabalhando no lançamento da BRS Integra, uma cultivar de Brachiaria ruziziensis especialmente selecionada para o consórcio com milho.

A ideia desse ensaio aqui nessa área (campo experimental da Embrapa Cerrados em Planaltina-DF), que tem por volta de oito hectares, é fazer uma avaliação de desempenho animal. Depois que a gente colher o milho e formar pastagem, a gente vai dividir a área em piquetes, e nessa área a gente está testando a BRS Integra, que é o próximo lançamento da Embrapa”, revelou.

É uma cultivar da espécie Brachiaria ruziziensis, que é a mais utilizada para formação de área como planta de cobertura em consórcios com milho, e a ideia é fazer esse teste da BRS Integra em condições de campo e avaliando o desempenho animal. […] Inclusive esse ensaio é uma exigência do Ministério da Agricultura, uma norma antes de lançar o material para determinado bioma, que no nosso caso é o Cerrado. A gente tem que conduzir esse ensaio, apresentar ao Mapa e só depois de chancelado pelo Ministério da Agricultura, quando a gente vai entender os benefícios da planta em relação à testemunha, que é a cultivar mais antiga, é que a gente lança a cultivar para o bioma Cerrado. E, se possível, a gente pode desfrutar das características, das vantagens desse material”, projetou Braga.

O pesquisador deu detalhes do desempenho do sistema em que está sendo testada a nova cultivar. “Essa área foi plantada há cerca de 50 dias. Foi feito primeiro a semeadura a lanço da Brachiaria ruziziensis em área de uma pasto de braquiária previamente dessecado. Logo após essa semeadura foi feito o plantio do milho em cima do capim dessecado. Vocês veem pelo estande que a gente teve um sucesso bastante significativo no plantio dessa área, tanto para o milho quanto para a braquiária. A ideia do consórcio é justamente essa, de otimizar o uso dessa área”, sustentou.

O zootecnista elencou os benefícios que o consórcio traz para o produtor rural. “Para o agricultor, a grande vantagem é ter junto com o seu cultivo de milho uma planta de cobertura, em que a Brachiaria ruziziensis é uma das mais indicadas. Ela é uma planta de cobertura que vai servir ao propósito de fazer o plantio direto para a próxima safra. Todos conhecem os benefícios do plantio direto, desde o controle de plantas daninhas, melhor infiltração da água no solo, a própria braquiária ajudando na recuperação. A gente sabe que essas características atendem ao pecuarista, mas também atendem ao agricultor na formação de um consórcio visando o plantio direto para o seu sistema de produção”, destacou.

Braga respondeu ainda se o consórcio não acaba prejudicando o desenvolvimento de todo o potencial de ambas as plantas. “Em princípio tem essa preocupação. Evidentemente as plantas estão ocupando o mesmo espaço e, em tese, o que se vê é uma competição por luz, por nutrientes, por água… Mas por conta da técnica, que já está bastante consolidada, e esse tipo de plantio já vem sendo feito há bastante tempo, essa competição pode ser contornada. Eventualmente, se necessário, pode se fazer uma subdosagem de herbicida na braquiária, principalmente se esse milho for utilizado com o objetivo de produzir grãos. Caso a área seja para produção de silagem, como é o caso aqui, você não tem nem tanto esse problema, porque tanto o milho, a planta adulta, como a braquiária, que está embaixo, vão ser colhidas para confecção de silagem. Você pode ter uma diminuição mínima da qualidade dessa silagem porque você está levando capim junto, mas é bem pequena. A grande vantagem, de fato, é você ter um pasto depois que você colheu o milho”, reforçou.

O pesquisador lembrou ainda da otimização viabilizada pelo sistema dos recursos disponíveis no solo. “A grande vantagem é justamente essa. O nutriente que você usaria para formar a pastagem exclusiva, agora você usa para fazer a lavoura de milho consorciado. E o grande benefício é esse, é você ter uma silagem disponível para os animais no período da seca e ter um pasto com uma área corrigida, adubada, e o mais importante: em uma época de déficit de forrageira, que é a partir de março, abril e maio. Você vai ter um pasto como nenhum outro na sua propriedade”, projetou.

Veja aqui pelo vídeo a seguir a última reportagem da série especial “Embrapa em Ação – Unidade Cerrados.