Novo nome, disposição renovada para o futuro

Da Redação FEBRAPDP 25/03/2021

Da Redação FEBRAPDP

Evidenciar o sistema, o conceito do Sistema Plantio Direto. Esta é a razão pela qual, a partir do último dia 18 de março, a FEBRAPDP passou a se chamar Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto. Aparentemente sutil, a mudança é estrategicamente importante e denota a contemplação mais ampla e atualizada do que efetivamente sua ideia preconiza: um conjunto abrangente de tecnologias de produção afins ao Plantio Direto que se somam e se inter-relacionam promovendo sustentabilidade produtiva, econômica, ambiental e agronômica para a agricultura brasileira.

 

Irrigação, que fazia parte do nome antigo (Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação), é uma dessas tecnologias que compõem, assim como várias outras, o sistema. É tema, inclusive, de uma das quatro comissões brasileiras abrigadas dentro da FEBRAPDP, a Comissão de Gestão da Água e Irrigação, presidida por Priscila Silverio Sleutjes, da Associação do Sudoeste Paulista de Irrigantes e Plantio na Palha – ASPIPP. As outras são: Comissão do Cerrado, presidida por John Nicholas Landers, Fundador Associação Plantio Direto no Cerrado; Comissão de Relações Internacionais, presidida por Rafael Fuentes, do Instituto Agronômico do Paraná, IAPAR, e Comissão Técnico-Científico, presidida por João Carlos Moraes de Sá (Juca Sá), da Universidade Estadual de Ponto Grossa – UEPG.

 

De acordo com o presidente da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto, Jônadan Ma, a mudança aprovada na Assembleia Geral Extraordinária do dia 18, visa também ressaltar e enobrecer o trabalho dos pioneiros, que na década de 1970, iniciaram o processo do que ao longo de quase cinco décadas evoluiu para um sistema de produção muito mais abrangente e que, por conta de um olhar multifacetado, promove a sustentabilidade em vários níveis.

 

“A Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto passa a ter este nome porque, em sua essência, sua missão é tratar de um conjunto de frentes tecnológicas por intermédio da agregação de instituições, de pessoas físicas e de pessoas jurídicas trabalhando em prol do Sistema Plantio Direto que, há quase cinco décadas, está revolucionando a nossa agricultura”, explica Ma.

 

Ainda segundo o presidente da FEBRAPDP, é importante ter sempre em vista o que é o Sistema Plantio Direto: “um sistema de produção agropecuário, cujo método de cultivo é conduzido de forma a preservar a biodiversidade, o solo, a água e a atmosfera, maximizando a diversidade de plantas no sistema, evitando o revolvimento do solo e promovendo a cobertura permanente do solo, com culturas específicas ou restos dos cultivos anteriores, com o objetivo de auxiliar no controle da erosão, aumentar a biodiversidade vegetal e animal, elevar e manter o teor de matéria orgânica no solo e garantir a melhor reciclagem da água e de nutrientes que, associado a outras práticas agrícolas, resultem em menor dependência de insumos externos, otimizem o potencial produtivo do meio ambiente explorado, preservem os recursos naturais e reduzam os custos de produção; entende-se por demais tecnologias que favoreçam as boas práticas agropecuárias, as técnicas que possibilitem a intensificação da produção agropecuária e a otimização da sua rentabilidade, respeitando e preservando os recursos naturais e as boas relações sociais”.

 

Contexto

 

Esta ação também tem por objetivo fortalecer e incentivar os produtores rurais a adotarem o sistema em sua plenitude e não somente em partes. Segundo Ma, há, de fato, certo nível de complexidade na operação do sistema, o que pode até fazer com que seja adotada apenas parcialmente e não na integralidade do conceito. “No entanto, se olharmos com atenção para o conceito pleno do SPD e seus resultados, fica claro que é uma coisa que todo mundo quer. Mas para se alcançar, ele exige realmente muita dedicação, persistência e resiliência por parte do produtor. Nem tudo que ele faz dá certo logo na primeira tentativa. Também não é só a questão de preservar os três princípios do SPD, mas colocar em equilíbrio todos esses pontos acima mencionados, o que exige bastante trabalho do produtor rural, do engenheiro agrônomo, do cientista, do técnico de assistência. Mas a persistência em tais práticas agrícolas vai desembocar num melhor retorno econômico, menor dependência de insumos, menor custo de produção. Ele também tem que entender que pode começar semeando um pouco, devagarzinho que seja, e não resistir a dedicar ao menos parte da fazenda ao sistema para que, com o tempo, toda a propriedade dele esteja plenamente ajustada ao conceito do SPD.  Não é deixar de plantar uma safrinha ou uma cultura econômica. Tem que continuar plantando, afinal é isso que nos sustenta, mas às vezes será exigido — não digo cota de sacrifício — mas um investimento mais dedicado a esses aspectos já ressaltados”.

 

Mascote

 

Para além da mudança do nome, a FEBRAPDP quer trabalhar para reforçar junto ao setor e também à sociedade como um todo a magnitude e a amplitude do Sistema Plantio Direto. Umas das primeiras iniciativas nesse sentido será o lançamento de uma campanha junto a estudantes de todo o país para a criação de um mascote (ainda surpresa) que será adotado pela Federação. A ideia é trabalhar a imagem de forma a traduzir e expressar muito bem o que é o SPD, o que ele proporciona à natureza, reforçando a própria causa sustentável do sistema e também o institucional.

 

“Mostraremos a importância da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto no trabalho econômico, social e ambiental, bem como o impacto que isso pode gerar não só no sistema produtivo hoje, mas também nas gerações futuras. Embora a adoção do plantio direto seja grande, a adoção do SPD ainda tem muito a se trabalhar e evoluir. E esse desenvolvimento não diz respeito apenas à parte tecnológica, mas também à quebra de paradigmas na interação do Sistema com outros setores além do setor produtivo, e também como isso reflete na vida das pessoas, das famílias, da sociedade e, como um todo, no meio econômico”, finaliza Ma.