Diferentes quantidades de palha de cana-de-açúcar mantidas sobre o solo tem efeito sobre indicadores microbiológicos e enzimáticos

24/02/2021

Por Cristina Tordin, Embrapa Meio Ambiente

Palhada - Foto: Nilza Patrícia Ramos

 

Na colheita mecanizada, a palha da cana pode ser parcialmente recuperada para uso como matéria-prima para bioenergia. Porém, a quantidade que pode ser removida sem alterar a sustentabilidade do sistema de produção da cana-de-açúcar ainda é pouco estudada.

 

Por isso, pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente avaliaram o impacto da remoção de parte da palha da cana-de-açúcar por meio de indicadores enzimáticos e microbiológicos de qualidade do solo, que são sensíveis às práticas de manejo. “Testamos três taxas de remoção: 0%, 50% e 100%, correspondentes a 0 t/ha, 6,2 t/ha e 12,3 t/ha, na base seca, de palha", explica Rosana Vieira, uma das autoras do estudo.

 

Os resultados mostraram que a retirada de parte da palhada afetou adversamente alguns atributos de qualidade do solo. Maiores valores de carbono e nitrogênio da biomassa microbiana foram obtidos quando toda a palha foi mantida sobre o solo. O mesmo ocorreu com a atividade da enzima β-glucosidase, envolvida no ciclo do carbono. Estes resultados foram obtidos apenas oito meses após o estabelecimento dos tratamentos, o que demonstra a importância do estudo. “Isso sugere a necessidade de monitoramento destes indicadores por períodos mais prolongados de tempo nas áreas com cultivo de cana-de-açúcar onde parte da palha é removida para fins industriais, a fim de melhor compreender o impacto cumulativo na qualidade do solo e garantir a sustentabilidade da produção de bioenergia, destaca Rosana.

 

A pesquisadora Nilza alerta que ainda há escassez de trabalhos que avaliam as alterações promovidas pelas práticas, de manejo agrícola da cana-de-açúcar, sobre os componentes de qualidade biológica. Resultados como os dessa pesquisa, já servem de alerta para a necessidade de se acompanhar os indicadores microbiológicos e enzimáticos nos sistemas utilizados pelos produtores, pois há potencial de alteração na qualidade do solo e consequentemente na sustentabilidade do etanol e açúcar gerados.

 

O artigo completo de Rosana Vieira, Nilza Patrícia Ramos e Ricardo Pazianotto, da Embrapa Meio Ambiente, foi publicado na Revista Soil Use and ManagementEarly View, em fevereiro de 2020 e pode ser acessado aqui.