Proteção de nascente garante água de qualidade para agricultor no RS

03/02/2021

Tiago Bald, Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional de Lajeado

Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar

O mês de outubro de 2020 foi, quase de forma literal, um divisor de águas para o agricultor Anélio Noll, da localidade de São Vitor, em Forquetinha, RS. Bovinocultor de leite há mais de duas décadas, vinha enfrentando problemas de contaminação do rebanho, condição que estava diretamente relacionada à qualidade da água consumida pelos animais. Foi com o apoio da Emater/RS-Ascar que o produtor implantou um sistema de captação de água de uma nascente existente na propriedade, em uma intervenção pouco invasiva e totalmente de acordo com a Legislação Ambiental em vigor.

 

A água, afinal de contas, é um recurso natural necessário para praticamente todas as atividades realizadas no meio rural, da dessedentação dos animais à irrigação da lavoura”, lembra o extensionista da Emater/RS-Ascar, Arthur Eggers. No caso de Anélio, a nascente protegida supre a necessidade das 38 vacas em lactação que juntas produzem mais de 600 litros de leite por dia -, além dos outros animais da propriedade. E a disponibilidade de uma água que, agora, é ofertada com reduzido risco de contaminação por partículas de solo ou matéria orgânica reduz o risco de doenças” explica o extensionista.

 

A propósito disso, foram os casos de leptospirose animal que fizeram o agricultor procurar o serviço de extensão rural. Antes o rebanho consumia a água bombeada diretamente do açude, não havia local que não tivesse barro ou sujeira, afirma o bovinocultor. Nesse sentido a instalação de um sistema de alvenaria que protege a nascente não apenas faz com que o manancial se mantenha limpo, dando também segurança para os períodos de estiagem. Não é demais lembrar que, somente para matar a sede dos animais, são mais de cinco mil litros de água por dia, recorda Noll.

 

Eggers reforça que a produção de leite com qualidade passar por diversos aspectos a serem observados pelo bovinocultor da dieta equilibrada, passando pela criação correta da terneira, até chegar à genética, entre outros. No caso da oferta de água de qualidade, ela está diretamente relacionada à higiene em todos os processos que vão das instalações até o manejo da ordenha. “E todas essas questões fazem com que a contagem total de células bacterianas e somáticas reduza, o que possibilita, inclusive um maior ganho de produtividade e financeiro para o agricultor, avalia o extensionista.

 

Hoje, Noll recebe mais de R$ 2 por litro de leite produzido valor que tem sido incrementado a cada ação que visa a qualificar a sua produção. A instalação recente de um sistema de compost barn também tornou o ambiente de convivência do rebanho mais higiênico, o que reduziu bastante a incidência de doenças como a mastite. Na produção de leite, a água de qualidade faz com que o animal não gaste energia para corrigir o sistema, a partir de contaminações que possam surgir, salienta Eggers. E tudo feito de forma sustentável, completa.

 

No combo de benefícios que possibilitam ao agricultor o acesso ao trabalho de proteção de nascentes está uma série de políticas públicas que vão desde uma Lei Municipal da Prefeitura para ações do tipo, até chegar ao acesso ao crédito rural via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A própria extensão rural, com seus cursos, capacitações, seminários e outras atividades coletivas e individuais é uma política do Governo do Estado vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr).

 

Somente em 2019 foram realizadas 88 ações para proteção de nascentes e olhos d’água, atendendo 78 famílias de agricultores de 14 municípios dos vales do Caí e Taquari. Já em 2020, foram executados mais de 100 projetos em 25 municípios, mesmo em um contexto de pandemia. Nesse trabalho, o que se busca é a integração do homem com o meio ambiente, a partir de uma construção que busca a harmonia entre a manutenção da natureza e o desenvolvimento econômico e social, pondera o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar Marcos Schäfer.

 

O extensionista reforça o fato de que a implantação do sistema, já na origem, deve contar com o acompanhamento técnico da Emater/RS-Ascar. No local da nascente, após a limpeza do local de afloramento da água, é construída uma estrutura física que pode ser de alvenaria, visando o menor dano possível à vegetação, sem alterar a vazão da nascente, explica Schäfer. E tudo realizado a partir de critérios técnicos e padronizados, de acordo com o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema).