Pior do que não ter terraço é ter um terraço rompido

Redação FEBRAPDP 19/11/2018

Especialista em física do solo, a pesquisadora Graziela Barbosa, do IAPAR, falará sobre os riscos do rebaixamento dos terraços, uma prática que vem ganhando força nas propriedades

Da Redação FEBRAPDP

Uso inadequado dos terraços agrícolas representa risco de perda de solo e, consequentemente, de produtividade

Foto: Unesp/Agrimanagers

Na próxima quarta-feira, dia 21, acontece em Maracaju, MS, o Fórum de Inovação em Agronegócio. Um dos principais enfoques do evento é o grave problema das perdas de solo em função do rebaixamento dos terraços. A pesquisadora do IAPAR Graziela Barbosa, especialista em física do solo, falará sobre o assunto, além de mostrar como o problema vem se agravando nas propriedades rurais, fornecerá detalhes dos riscos que os produtores estão correndo ao recorrer à prática do rebaixamento: perda de solo, de nutrientes, erosão e comprometimento da produtividade.

Graziela faz questão de lembrar que o Sistema Plantio Direto contempla três princípios básicos: mínimo revolvimento do solo; uma boa proteção com palha ou uma planta natural viva por sobre a superfície do solo, e a rotação de culturas. Se o produtor respeita esses três princípios, dá para dizer que, sim, ele tem um excelente Sistema Plantio Direto.

Porém, ela ressalta: “mesmo fazendo com qualidade esses princípios básicos, quando ocorre uma chuva muito intensa concentrada num curto período de tempo, a velocidade dessa prestação vai ser diferente da velocidade com que essa água pode se infiltrar no solo. Então, o solo fica saturado e ocorre o escorrimento superficial. O problema piora se tivermos um solo um pouco mais frágil, com pendentes muito longas ou com declividades muito acentuadas. Nesses casos, o escoamento superficial vai ganhar velocidade acima do que seria um limite permitido para aquele tipo de condição. Para fazer a contenção, o produtor tem que lançar mão de alguma outra prática mecânica para reduzir para impedir que esse escoamento superficial se acelere, porque se o escoamento ganhar uma velocidade muito grande, começa a arrastar partículas de solo e mesmo a palhada que está sobre a superfície. Vai chegar um momento que essa velocidade vai ser tão grande que dará início ao processo erosivo, causando então tanto a erosão superficial laminar, como arranjar começar a formação de sucos”.

Para que isso não ocorra, deve-se ter impedimentos mecânicos que reduzam a velocidade do escoamento. Os terraços agrícolas servem para isso. Sua função é exatamente eliminar, interromper o ganho de velocidade com que a água escorre. Com eles, a água que escorre fica retida no canal e, por filtração, acaba entrando no solo sem causar os riscos de erosão.

Por outro lado, se o produtor não contempla o Sistema Plantio Direto com esses três princípios, ele vai ter sérios problemas de erosão. Sobre isso, a pesquisadora explica que uma das grandes funções do sistema, por intermédio da rotação de culturas, que permite se ter raízes de plantas diferentes no triênio de cultivo dentro da propriedade, é fazer com que a água infiltre melhor.

“A decomposição da palha e da própria raiz, acabará virando matéria orgânica e vai auxiliar na melhoria da taxa de infiltração do solo, justamente, para que, quando comecem as chuvas mais intensas, a água consiga encontrar com mais facilidade evitando o escoamento superficial. Caso o produtor não faça isso ou deixe o solo desprotegido; ou seja, com muito pouca palha em que a gota da chuva cai diretamente do solo causando a desagregação das partículas, o processo erosivo será mais facilitado porque com a desagregação de suas partículas, os solos tornam-se mais leves e muito mais passíveis de serem carregadas quando inicia-se o escoamento superficial”.

Quando o produtor começa a rebaixar os terraços, desconsidera o fato de tratar-se de uma obra engenharia em que há cálculos em função de todos os parâmetros já mencionados. Os cálculos contemplam também uma pequena margem para a possibilidade dessas chuvas mais intensas. Segundo ela, temos visto nos últimos anos chuvas muito intensas em períodos muito curto de tempo. E, se em um ou dois anos chuvosos não houve nenhum rompimento de terraço, é comum o produtor pensar que pode começar a rebaixar os terraços porque não são tão necessários.

“Aí ocorre um evento muito intenso ou uma chuva muito prolongada, encontrando a umidade do solo já muito elevada – nesses casos a precipitação talvez pode nem ser tão intensa, apenas concentrada em um curto período de tempo –, acarretando no rompimento terraços rebaixados. Pior do que não ter terraço é ter um terraço rompido porque toda aquela água da sessão que ficou represada entre um terraço e outro acaba sendo canalizada para sair por um único orifício. Acaba virando um canal de escoamento de água, que vai rompendo todos os outros, formando sulcos muito grandes”, detalha a pesquisadora.

A palestra Perdas de Solo e Impactos do Rebaixamento de Terraços ocorrerá no Tatersal do Sindicato Rural de Maracaju, a partir das 7h30. Para ver a programação completa, clique aqui. O Fórum de Inovação em Agronegócio é promovido pela Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação, FEBRAPDP, em parceria com a Fundação MT, o Grupo Plantio na Palha de Dourados (GPP) e o Grupo para Intercâmbio em Agrotecnologia (Giatec).