Entidade de Utilidade Pública Federal desde 1998
FEBRAPDP SISTEMA PLANTIO DIRETO IRRIGAÇÃO PROJETOS PUBLICAÇÕES ENPDP PARTICIPE
English Version
Newsletter




16º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha
Controle Biológico de Pragas em destaque na AgroBrasília

Palestra apresenta cenário atual sobre tecnologia no Cerrado


Da Redação FEBRAPDP




Pesquisador Roberto Alves durante palestra na AgroBrasília 2018


Foto: Breno Lobato/Embrapa




O Controle Biológico de Pragas já deixou de ser uma tendência faz tempo. Hoje é uma realidade que, gradualmente, vai ganhando mais força nas lavouras brasileiras. Para que se tenha uma ideia de seu crescimento, em 2017, a área com emprego de fungos benéficos para controle biológico de pragas era ao redor de 2,3 milhões de hectares. Estima-se que essa área irá triplicar em três anos. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico, o mercado mundial de defensivos agrícolas biológicos tem registrado índices de crescimento cinco vezes superior ao da indústria de defensivos químicos. 


A edição da AgroBrasília deste ano trouxe uma importante contribuição ao avanço da técnica no Cerrado. Durante 2 horas, Roberto Teixeira Alves, pesquisador da Embrapa Cerrados, engenheiro agrônomo, mestre e PhD em Entomologia/Controle Biológico, explicou e esclareceu, para 80 participantes, pontos importantes com o intuito de dirimir resistências à sua adoção, sobre como tirar os melhores resultados e até pontos polêmicos, como a produção caseira de biodefensivos.


O pesquisador abriu os trabalhos com um panorama sobre os diferentes tipos de inimigos naturais existentes e como eles podem atuar contra o que consideramos pragas: insetos, doenças, nematoides, ervas daninhas; enfim, toda presença de organismos acima dos níveis populacionais de convivência e com comprometimento econômico da lavoura.


Segundo Alves, tanto o Controle Biológico como o controle químico são considerados ferramentas do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e, portanto, dentro de uma perspectiva mais ampla, não devem ser percebidos isoladamente. “Não dá pra fazer o MIP com eficácia se não houver um conhecimento das ferramentas que se tem à disposição. Entender cada método existente é importante”, explicou.


A palestra destacou para os produtores, técnicos e empresários presentes que, dentro do Controle Biológico, há três tipos de inimigos naturais: os predadores, que comem a presa; os parasitoides, que as parasitam, e os patógenos, que causam doenças (fungos, vírus e bactérias). Estes podem ser utilizados de formas diferentes.


No Controle Biológico Clássico, que é pouco usado hoje no Brasil, importa-se o inimigo natural que atuará contra a praga. Já no Controle Biológico Natural, a ideia é preservar ao máximo as condições naturais, com manutenção das matas, uso de inseticidas não muito agressivos e com aplicação seletiva, para que os inimigos naturais originais da região, como codornas e perdizes, por exemplo, predem os insetos invasores.


O mais comum, no entanto, é o terceiro, o Controle Biológico Aplicado, que de modo semelhante ao controle com produto químico, é administrado sobre a lavoura. Os chamados biodefensivos são constituídos por fungos, bactérias, vírus, parasitoides (ovos e lagartas) e nematoides. A palestra focou bastante nesse ponto, apresentando soluções e tirando dúvidas dos produtores.


 


Adoção requer cautela no início


Por falar em dúvidas, são justamente as incertezas e falta de confiança na tecnologia, hoje, o maior impeditivo ao seu avanço no Brasil. Segundo o pesquisador, isso ocorre porque é preciso testar para acreditar e ir ganhando confiança no processo. “Para isso, é necessário, estudar e entender, mas também transferir essa tecnologia a consultores públicos e privados para que estes possam levar a informação correta para o produtor rural”.


Alves orienta a quem quer começar no Controle Biológico, que comece com uma área menor em sua propriedade. “Por exemplo, se tem 1.000 hectares, no primeiro ano deve começar com a técnica em apenas 50 hectares e nos outros 950, fazer da forma que ele achar melhor. No final, comparar os resultados de produtividade obtidos. Essa fase é importante para que tanto o produtor como os funcionários da fazenda possam se adequar ao sistema e ganhar confiança. Conforme a confiança vai sendo adquirida com base nos resultados, e a técnica vai sendo dominada, o produtor pode ir ampliando a área com Controle Biológico. Até que um dia, quem sabe, a coloca em toda a área”, orientou.


Por outro lado, há fatores externos que diminuem a velocidade de adesão ao Controle Biológico, o principal deles, talvez seja a concorrência de mercado com a indústria química, que tem muitos recursos, capilaridade e não pretende perder mercado. Some-se a isso o fato de o produtor normalmente gostar de aplicar o agrotóxico e no dia seguinte ver os insetos todos mortos na lavoura. O que, segundo o pesquisador, não necessariamente é um resultado efetivo, pois existe o chamado efeito de choque, que elimina uma parcela dos insetos e outra parte da população da praga que não foi atingida pelo produto se recupera e volta a causar danos na lavoura.


“Acho que as conjunturas fazem com que o produtor tenha preocupações bem naturais e aja assim. É compreensivo que ele fique com o pé atrás. Precisamos entender que, para o Controle Biológico ganhar mais espaço nas lavouras brasileiras, duas características importantes devem ser observadas: eficiência no combate às pragas e viabilidade econômica, tanto para quem produz, as biofábricas registradas, como para quem aplica em sua lavoura”.


 


Biofábricas caseiras


Uma questão que preocupa Roberto Alves é o crescimento do número de propriedades que está optando por desenvolver seus próprios bioinseticidas. O que, a primeira vista pode ser uma coisa relativamente simples, não é e pode redundar em perdas não só para o produtor, criação de novos problemas e interferir negativamente na imagem do Controle Biológico.


Em sua palestra, o pesquisador alertou: “A intenção em produzir bioinseticidas caseiros é boa, se isso fosse uma forma eficiente de se produzir inimigos naturais de qualidade mas, infelizmente, não é. Quem opta por este caminho pensa em diminuir seus custos com defensivos agrícolas e utilizar controle biológico. O que acontece, na realidade, é que a produção desses desejados inimigos naturais é muito contaminada por bactérias, principalmente, afetando bastante a qualidade do produto obtido e, consequentemente, não trazendo os resultados desejados. Quando se produz bioinseticidas de qualidade, precisa-se de instalações adequadas com muita assepsia, controle de qualidade e pessoal muito bem treinado para se obter produtos puros e eficientes, além desses produtos terem sua eficiência comprovada e de não serem nocivos ao meio ambiente e aos seres humanos. Por isso são devidamente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”.


 


Vespa parasitando ovos de percevejos
Foto: Cláudio Bezerra/Embrapa

Da Redação FEBRAPDP - 18/05/2018 - 13:57:13


Imprimir Fazer PDF Compartilhar por E-mail
388 notícias encontrados. 39 páginas. Mostrando página 1
Buscar em NOTÍCIAS:
SEDE
Avenida Presidente Tancredo Neves, N° 6731
Parque Tecnológico de Itaipu
Edifício das águas 2° Andar sala 201.
CEP: 85867-900
Foz do Iguaçu - Paraná - Brasil.
+55 45 3529-2092
febrapdp@febrapdp.org.br
FEBRAPDP - Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação
Filiada à CAAPAS
Confederação das Associações Americanas para uma Agricultura Sustentável


Correspondência
Caixa postal: AC PTI 2140
CEP: 85867-970
Foz do Iguaçu - Paraná - Brasil.