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A quem interessa a proibição do uso de herbicidas como o glifosate?


Por Ciro Rosolem*


 


O glifosate é um herbicida. Se usa para controlar plantas que competem com as culturas por recursos como água e luz, o mato, ou plantas daninhas. Graças a este produto, junto com alguns outros, foi possível no Brasil se fazer o que vem sendo chamado como a segunda revolução verde. O que é isso? É uma agricultura feita em sistemas de produção, com rotação de culturas, maior diversidade de espécies, mas, principalmente, agricultura feita em semeadura direta. É o uso de alguns conceitos de agricultura orgânica para produção econômica de alimentos. Produção sem revolver o solo. Isso protege o solo contra erosão, melhora o uso de água pelas plantas, aumenta a biodiversidade do sistema. O Brasil é hoje o país com a maior área em semeadura direta. Mais de 35 milhões de hectares.


Mas, sistemas integrados de produção, em boa parte possíveis pelo uso do glifosato, são bons? Para quem? Para toda a humanidade. Sistemas integrados de produção em semeadura direta emitem menos carbono para a atmosfera por unidade de produto. Mas este não é o principal benefício ambiental. O principal benefício é que são fixados no solo de uma a três toneladas de carbono por ano. Estamos falando de 35 a mais de 100 milhões de toneladas de carbono que, doutra forma, iriam ajudar aquecer a atmosfera. Bom, então porque dificultar o uso de um sistema que é tão bom? Aí é que está o truque: é bom demais, e não interessa a nossos competidores.


Não é novidade a importância agrícola do Brasil. Isso tem incomodado muito outros grandes produtores agrícolas. Estamos ameaçando gente grande. Isso tudo tem sido possível pela exploração de solos marginais. Do uso da mesma área duas vezes, quando se cultiva milho, feijão, girassol, mamona, algodão, feijão, em segunda safra, tudo em semeadura direta. Isso evita desmatamento. A alternativa à segunda safra seria desmatar mais. Dá pra perceber a importância deste produto que, agora, foi proibido? Mas porque foi proibido?


Existem alguns estudos, internacionais, demonstrando que há em sua composição algum componente cancerígeno. Vejam bem: há em sua composição, assim como no torradinho da picanha de churrasqueira, como na casquinha da torrada do chá e da sopa. Daí a provocar câncer em humanos há uma longa distância. Quantas pessoas morreram, comprovadamente, por intoxicação por glifosato? O produto está há décadas no mercado. Já teria dado tempo de provocar câncer em alguém, se fosse o caso. Enfim, proíbe-se o uso de um produto fundamental para a segunda revolução verde, que ajudou o Brasil ser a potência agrícola que é, por uma possibilidade remota, não demonstrada cientificamente, de risco. Lembre-se que o produto, enquanto usado, depende de receita agronômica para ser vendido e aplicado. Não se acha na prateleira do supermercado.


Enfim, a quem interessa essa proibição? Certamente é um passo gigante para diminuir a capacidade de competição do Brasil no mercado internacional.


 


*Vice-Presidente de Estudos do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu)

- 17/08/2018 - 09:28:25


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