Histórico

Em 23 de julho 1992, reuniram-se em Cruz Alta/RS, representantes de várias instituições ligadas ao Sistema Plantio Direto (SPD) para fundarem uma instituição de caráter nacional que as representasse. O Clube da Minhoca de Ponta Grossa virou a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha que nasceu para congregar e representar as associações que estimulam e difundem o Sistema Plantio Direto.

Após 20 anos de existência da FEBRAPDP, houve um incremento em 30 milhões de hectares sob o SPD sendo adaptada à tração animal, à agricultura familiar e ao cerrado. Espalhou-se rapidamente por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Argentina, Chile, Uruguai, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso. Foi o SPD que permitiu a reorganização do calendário agrícola e viabilizou a safrinha e as propostas de integração lavoura pecuária (ILP) e integração lavoura pecuária e floresta (ILPF). Na sequência surgiram as coberturas vivas e se constatou a importância da rotação de culturas, culminando no atual conceito de Sistema Plantio Direto (SPD).

Em 2013, com olhar atento às tendências e inovações agrícolas, a FEBRAPDP percebeu a importância da verticalização da atividade agropecuária e assim incorporou a irrigação como tema estratégico, o que ocasionou uma adequação estatutária e a alteração de seu nome para: Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação.
Hoje, a FEBRAPDP é referência em plantio direto e exerce papel fundamental na expansão do SPD no Brasil e no mundo. Com a contribuição de seus associados e empresas parceiras, a FEBRAPDP desenvolve pesquisas, estudos e projetos relevantes para a defesa, modernização e disseminação do Sistema Plantio Direto e da Irrigação, além da representação dos interesses dos produtores agropecuários nas diversas esferas do governo e da sociedade civil.

Sistema Plantio Direto no Brasil

Na Região Sul, o alto potencial erosivo das chuvas (principalmente na primavera e verão), aliado ao desmatamento e início da mecanização intensiva para preparo do solo, principalmente a partir da década de 70, foram fatores fundamentais para que a agricultura conservacionista se desenvolvesse com a minimização do revolvimento do solo, cobertura permanente e rotação de culturas.

Em 1971, o produtor Herbert Arnold Bartz, de Rolândia/PR, começou a buscar uma alternativa ao sistema convencional de preparo do solo que causava tanta erosão principalmente após as chuvas fortes da região. No Instituto de Pesquisa de Experimentação Agropecuária Meridional (Ipeame), em Londrina/PR, teve conhecimento de uma técnica em que eram abertos sulcos no solo para deposição de sementes e fertilizantes sem revolvimento do solo que foi batizada como "plantio direto". Bartz seguiu para a Inglaterra e conheceu o sistema no-till (sem arar), continuou a busca nos Estados Unidos onde conheceu Harry Young Jr. que pratica o No-Till a 10 anos e encomendou uma semeadora Allis Chalmers para desenvolver a mesma técnica em suas terras. Ao voltar para o Brasil, enfrentou problemas financeiros em função da perda de sua lavoura de trigo pela geada, somadas as despesas da viagem e da importação da semeadora americana, começou o plantio direto semeando 200 hectares de soja, em outubro de 1972.

A partir daí, a pratica do plantio direto foi adotado em outras regiões do Paraná, do Brasil e da América do Sulevoluindo conceitualmente para Sistema Plantio Direto. Em 1974, Bartz junto com a liderança dos produtores de Campos Gerais/PR, Franke Dijkstra e Manoel "Nonô" Henrique Pereira, criaram o Clube da Minhoca, Fundação ABC, Confederação das Associações de Agricultores para uma Agricultura Sustentável (Caapas) e a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP). Diversos Clubes de Amigos da Terra (CAT) e outras associações no Brasil foram criadas a partir do exemplo dos três agricultores paranaenses.