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Plantio Direto: sistema conservacionista em aprimoramento


Safras maiores e estabilidade produtiva no Sul do Brasil

 

Da Redação FEBRAPDP

 

Investimentos em agricultura de precisão, perícia na correção de solo, cultivares potentes, monitoramento de variáveis e manejo integrado de pragas vem garantindo 5% de crescimento médio na produtividade na Fazenda Banhado Verde, ao longo dos últimos dez anos. Situada no município de Faxinal dos Guedes, Oeste de Santa Catarina, a propriedade aderiu ao Plantio Direto na década de 1980. Hoje, são 800 hectares produzindo soja e milho no verão e 300 hectares de trigo no inverno. Com estações climáticas bem definidas, inverno úmido e topografia ondulada, a região conta com um regime de chuvas regular que dispensa irrigação mecânica. 

Característica marcante do trabalho desenvolvido na lavoura, os mixes de cobertura de solo foram introduzidos com misturas simples até atingirem o nível atual de sofisticação. Além de todos os benefícios para o sistema, a prática conservacionista também assegura a estabilidade produtiva mesmo em anos desfavoráveis. À frente da administração da fazenda, Rodrigo Alessio, revela que o objetivo é trabalhar com mixes de até 12 plantas porque a diversidade é a chave para a agricultura do futuro. 

“A partir de 2007, passamos a trabalhar mixes de aveia e nabo; aveia, milheto e nabo; nabo e milheto. Nos últimos dois anos, aumentamos o número de espécies para misturas de até cinco plantas: nabo, aveia, tremoço, centeio e ervilha. A introdução do mixes foi sem dúvida um grande avanço para a revitalização do solo em todos os aspectos. E aqui cabe um agradecimento ao amigo Ademir Calegari, um profissional que conhece, como poucos, plantas de cobertura ao redor do mundo”, comenta. 

Semeadura de trigo sobre nabo forrageiro sem dessecação
Semeadura de trigo sobre nabo forrageiro sem dessecação














Engenheiro agrônomo, o produtor ressalta ainda que entre os múltiplos fatores que afetam diretamente a produtividade da lavoura, o teor de matéria orgânica no solo desponta como principal. Então, o manejo praticado deve primar pelas prioridades do sistema, buscando aumento do teor de carbono no solo, maximização da produção de biomassa, diversificação e ampliação do número de espécies. 

“Nossas áreas tornaram-se mais resilientes a todos os tipos de estresses, sejam eles bióticos ou abióticos. Isso nos dá estabilidade de produção e maior tolerância a veranicos. O mais incrível disso tudo é que nossas produtividades tem aumentado ano após ano, e por outro lado, nossos custos têm declinado. Nossas adubações são balizadas pela exportação das culturas, somente. O manejo de fósforo é feito no inverno, por ocasião da semeadura do mix. Cabe aqui a ressalva, de que isso é adequado para o nosso solo, para os nossos teores de nutrientes. Na semeadura das culturas econômicas, manejamos toda área sem dessecações pré-plantio. Acoplamos um rolo faca na dianteira dos tratores, que nos permite manejar a cobertura no mesmo momento em que semeamos”, explica. 

Outro fator de redução de custos é a diminuição da quantidade de ativos químicos na plantação, que já demonstra resultados promissores em pouco tempo de utilização de produtos biológicos para controlar lagartas e percevejos nas lavouras de soja e milho. 

Rodrigo reitera os benefícios potencializados pela semeadura multiespécies de cobertura vegetal, citando o incremento de biomassa e atividade microbiana, infiltração de água e descompactação biológica, como fatores fundamentais ao equilíbrio necessário para as culturas comerciais em sucessão expressarem todo o seu potencial. 

“No mix encontramos plantas de diferentes espécies, que reciclam diferentes nutrientes, estabelecem interações simbióticas com diferentes fungos e bactérias, enfim, mais biodiversidade enriquecendo todo sistema. Temos ainda um complexo de raízes atuando de forma diferente, em profundidades diferentes. Algumas plantas por apresentarem um sistema radicular mais agressivo, rompem camadas mais adensadas do solo, buscando água em regiões mais profundas. Outras fixam nitrogênio do ar, outras ainda interagem com fungos micorrízicos , melhorando a absorção de fósforo.”, explica.

Mix de sementes em estabelecimento inicial
Mix de sementes em estabelecimento inicial

 













Cultivo revolucionário


Rodrigo Alessio, Carlos Alessio e Diego Alessio
Rodrigo Alessio, Carlos Alessio e Diego Alessio
Na década de 1970, as dificuldades encontradas nas terras da família Alessio quase causaram a desistência do negócio. O cultivo tradicional com arações e gradagens e as chuvas torrenciais erodiam e empobreciam o solo. A solução veio em 1981, ano em que o patriarca, Carlos Alessio, esteve no primeiro Encontro Nacional de Plantio Direto, em Ponta Grossa (PR). O novo e revolucionário sistema de cultivo rapidamente substituiu grades, arados e subsoladores pela rotação de culturas, cobertura permanente e mínimo revolvimento do solo, proporcionando o renascimento da propriedade. 

“No ano de 1981, meu pai e um amigo visitaram a região dos Campos Gerais, por ocasião do Encontro nacional de Plantio Direto. O que viram lá mudou suas vidas completamente. Esse sistema de cultivo trazido para o Brasil por um catarinense visionário chamado Herbert Bartz, uma das mentes mais iluminadas deste país, e difundido por luminares como Nonô e Franke, mudou completamente a forma como meu pai via a agricultura. Nos campos de cultivo, onde ate então se via solo desnudo, passaram a ser vistas exuberantes camadas de cobertura de aveia e azevém. Os resultados não tardaram a vir, produtividades cada vez maiores e a custos menores, mudaram sobremodo o perfil da fazenda. Já se passaram mais de 35 anos de plantio direto. Meu pai, muito embora não tenha formação acadêmica, é o que se pode chamar de um homem apaixonado pela agricultura. Mesmo sem formação sempre trabalhou com um olhar mais conservacionista, sensível e respeitoso às leis da natureza”, rememora Rodrigo. 

Sobre a baixa qualidade do Plantio Direto praticado em grande parte das regiões do Brasil, Rodrigo considera as quedas abruptas de produtividade, solos sem capacidade de infiltração de água, estéreis, sem atividade biológica e o retorno à erosão, como fruto também da influência dos fabricantes de máquinas e implementos no manejo das propriedades. 

“Infelizmente temos observado que o sistema plantio direto não está sendo desenvolvido com qualidade: pouca palha, semeaduras com muito revolvimento de sulco e pouca diversidade no sistema. Mas o lado positivo disso é que dispomos de ferramentas pra reverter este quadro. Nunca é demais lembrar: cobertura permanente, mínimo revolvimento, rotação de cultura, sucessão com mixes, manejo integrado de pragas e patógenos, raiz viva o tempo todo no solo. Este é o caminho da mudança. Mudança para um sistema mais tolerante as intempéries do clima, mudança para um ambiente mais vivo biologicamente, mais seguro. Por fim, se não me falha a memória tem uma frase de Russell Kirk, no livro “A política de Prudência” que diz, “nós somos anões nos ombros de gigantes, capazes de enxergar um pouco além dos antepassados apenas por causa da grande estatura daqueles que nos precederam”. Quero com isso agradecer aos gigantes: Herbert Bartz, Nonô e Franke Dijkstra”, conclui Rodrigo. 

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