Entidade de Utilidade Pública Federal desde 1998
FEBRAPDP SISTEMA PLANTIO DIRETO IRRIGAÇÃO PROJETOS PUBLICAÇÕES ENPDP PARTICIPE
English Version
Newsletter




Perspectivas promissoras para o crescimento da adoção dos Sistemas de ILPF


Perspectivas promissoras para o crescimento da adoção dos Sistemas de ILPF

 

Ronaldo Trecenti,

Consultor Diretor da Vetor Consultoria Agroambiental

 

Os Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) são constituídos por quatro modalidades de integração: Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Sistema Agropastoril; Integração Lavoura-Floresta (ILF) ou Sistema Silviagrícola; Integração Pecuária-Floresta (IPF) ou Sistema Silvipastoril; e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Sistema Agrossilvipastoril. 

Esses Sistemas fundamentam-se na intensificação do uso da terra em áreas cultivadas, na recuperação de pastagens degradadas, na diversificação de atividades na propriedade rural e no aumento da eficiência dos sistemas de produção, atendendo aos três pilares da sustentabilidade: ser economicamente viável, ambientalmente adequado e socialmente aceito. 

Os Sistemas de ILPF estão despertando, cada vez mais, a atenção de pesquisadores, técnicos, professores, estudantes e produtores como uma das melhores alternativas para a redução da incidência de pragas, doenças e plantas daninhas, possibilitando o aumento da produtividade das lavouras, da pecuária e da floresta, por unidade de área (hectare), reduzindo os riscos climáticos e de mercado, o que atualmente está sendo denominado como intensificação sustentável da agricultura tropical.

Fotos de ILPF na Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO
Fotos de ILPF na Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO








Na pecuária de leite o conforto térmico proporcionado pela sombra das árvores tem promovido uma melhora significativa na ambiência animal, com redução de temperatura nas entrelinhas que variam de 2 a 8 ºC a menos que na pastagem a céu aberto, aumentando o número de horas de pastejo e reduzindo o gasto de energia para resfriamento da superfície corporal, resultando em maior produção de leite. Já na pecuária de corte, a ILPF está ganhando força com a efetivação do Projeto Carne Carbono Neutro, que basicamente consiste na recuperação/arborização de pastagens degradadas visando o sequestro de carbono pela forragem e pelas árvores para neutralizar a emissão de gás metano pela fermentação entérica (arroto e pum do boi), que é tido como um dos principais gases de efeito estufa (GEE), que supostamente estaria contribuindo para as mudanças climáticas e para o aquecimento global. 

Os mercados consumidores de carne bovina, principalmente os mais exigentes da Europa, estão demonstrando interesse crescente pela carne produzida de forma mais sustentável, isto é, com menor impacto ao meio ambiente e com respeito à legislação ambiental e trabalhista. 

No Brasil, algumas iniciativas pioneiras como a da fazenda Triqueda, em Coronel Pacheco-MG, da fazenda Real, em Juiz de Fora-MG e da fazenda Bugre, em Prata-MG, em parceria com a marca comercial Ecofarm/GranBeef, já fizeram a primeira oferta de carne carbono neutro para os consumidores e pretendem ampliar a oferta com o ingresso de novos parceiros.

Fotos do Projeto Carne Carbono Neutro na Fazenda Triqueda, Coronel Pacheco-MG
Fotos do Projeto Carne Carbono Neutro na Fazenda Triqueda, Coronel Pacheco-MG

 







Em estudos recentes sobre a viabilidade dos Sistemas de ILPF, por meio da avaliação de quatro Unidades de Referência Tecnológica e Econômica (URTE), a Embrapa Agrossilvipastoril de Sinop, no Mato Grosso concluiu que o retorno do investimento em sistemas integrados como a ILPF é maior do que os sistemas exclusivos de lavoura ou pecuária. Segundo a Embrapa, as quatro propriedades avaliadas (fazenda Dona Isabina, em Santa Carmem; fazenda Brasil, em Barra do Garças; fazenda Certeza, em Querência; e fazenda Gamada, em Nova Canaã do Norte) tiveram resultados positivos utilizando a integração, a maior parte superando com grande margem as áreas modais com as quais foram comparadas. 

Um estudo inovador analisou a sustentabilidade do Sistema de ILPF conduzido na Fazenda Santa Brígida, em Ipameri-GO, comparado com o sistema tradicional de cultivo da região, utilizando o conceito de Avaliação do Ciclo de Vida. Foram avaliados os impactos dos processos produtivos desde extração dos recursos naturais, fabricação das matérias primas, distribuição, utilização destes insumos na fazenda, logística, transporte, plantio, manejo, até a colheita. Foram comparados arranjos produtivos integrados e não integrados, com o objetivo de produzir soja, milho, sorgo, carne e madeira (biomassa para energia), para atender à necessidade média de 500 pessoas, no Brasil, durante sete anos.

Fotos do Dia de Campo de ILPF na Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO
Fotos do Dia de Campo de ILPF na Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO







Evolução da produção em 5 safras com a ILPF na Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO
Evolução da produção em 5 safras com a ILPF na Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO



 








Avaliação da sustentabilidade da ILPF na Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO
Avaliação da sustentabilidade da ILPF na Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO

 













Economia de área para produção de alimentos com a ILPF
Economia de área para produção de alimentos com a ILPF










A produção de alimentos com a ILPF emite menos GEE e gasta menos energia
A produção de alimentos com a ILPF emite menos GEE e gasta menos energia




 



























Considerando a lógica do ciclo de vida, o estudo contemplou os impactos referentes à vida da vaca para geração dos bezerros. Nos indicadores de impacto ambiental, a priorização da ILPF representou uma necessidade de seis vezes menos área direta de produção. As emissões GEE, medidas em CO2 equivalente foram 55% a menores em relação à mesma produção em sistemas tradicionais. O cálculo não contabilizou a incorporação de matéria orgânica no solo (pelas raízes da forragem e das árvores), o que reduziria ainda mais as emissões de carbono para atmosfera.

Ciclagem de nutrientes e sequestro de carbono pelas raízes das forrageiras na ILPF

 













Os ganhos socioeconômicos são notáveis na fazenda. O investimento retorna em produtividade e menor demanda de área, reduzindo em 54% os custos totais de produção. Os funcionários trabalham durante o ano todo e lidam com diversas culturas, pecuária e floresta, o que demanda um aumento dos incentivos em qualificação dos empregados em duas vezes e de treinamentos e capacitações em sete vezes.


 
























Esses resultados são muito promissores e necessitam de ser mensurados em outras propriedades, nos diferentes biomas brasileiros, mas já sinalizam de forma clara que os sistemas integrados são mais socioecoeficientes e representam a intensificação sustentável da produção em solos tropicais, constituindo-se numa oportunidade para o agronegócio brasileiro atender a crescente demanda mundial por alimentos, fibras e energia, contribuindo para o Brasil alcançar seus compromissos de reduzir as emissões de GEE e minimizar o desmatamento.

243 notícias encontrados. 25 páginas. Mostrando página 1
Buscar em NOTÍCIAS:
SEDE
Avenida Presidente Tancredo Neves, N° 6731
Parque Tecnológico de Itaipu
Edifício das águas 2° Andar sala 201.
CEP: 85867-900
Foz do Iguaçu - Paraná - Brasil.
+55 45 3529-2092
febrapdp@febrapdp.org.br
FEBRAPDP - Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação
Filiada à CAAPAS
Confederação das Associações Americanas para uma Agricultura Sustentável


Correspondência
Caixa postal: AC PTI 2140
CEP: 85867-970
Foz do Iguaçu - Paraná - Brasil.